Em protesto contra o Governo

Militares preparam manifestação para dia 23

11.11.2006 - 09:39 Por Paula Torres de Carvalho, , (PÚBLICO)

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Os manifestantes preparam-se para sair à rua fardados, apesar de isso ter dado origem, em Agosto do ano passado, à instauração de processos disciplinares Os manifestantes preparam-se para sair à rua fardados, apesar de isso ter dado origem, em Agosto do ano passado, à instauração de processos disciplinares (Adriano Miranda/PÚBLICO (arquivo))
Um alargado grupo de militares de todos os ramos das Forças Armadas está a preparar uma manifestação para o próximo dia 23, no Rossio, em Lisboa, por considerar estarem a ser desrespeitados os seus direitos.

Para organizar esta manifestação foi formada uma comissão de oficiais, sargentos e praças na reserva e na reforma, pertencentes aos três ramos das Forças Armadas, que já começou a convocar reuniões de preparação da marcha. A primeira realizou-se ontem, no Bairro Social do Alfeite, "aberta a todos os militares". "Pretendem ser sessões de esclarecimento para troca de impressões e de informações entre militares", explicou ao PÚBLICO Fernandes Torres, oficial da Marinha na reserva.

Os manifestantes preparam-se para sair à rua fardados, apesar de isso ter dado origem, em Agosto do ano passado, à instauração de processos disciplinares a 26 das quatro centenas de militares que se manifestavam à frente do Ministério da Defesa, segundo afirma Fernando Torres.

O "Verão quente" dos militares, como lhe chamaram, terminou com a ordem que "veio das chefias militares" para instaurar os processos, mas resultou também da "pressão dos políticos", assegura Fernandes Torres. "As imagens transmitidas na televisão mostravam muita gente, mas só aqueles 26, entre os quais dirigentes associativos, tiveram processos, desconhecendo-se o critério tido em conta", sublinha.

Os motivos do descontentamento eram, então, muito semelhantes aos que, hoje, continuam a desagradar os militares. "Redução do orçamento, vencimentos degradados, não pagamento das horas extraordinárias, dificuldades de progressão na carreira, más condições de trabalho, redução do pessoal", enumera Fernandes Torres, salientando que se tem vindo a assistir a um "ataque" aos direitos dos militares desde os anos 90, o que está a gerar uma situação de "desmotivação e stress". Em particular, este oficial da Marinha demonstra preocupação quanto aos cortes anunciados nas despesas de saúde dos militares e às condições de passagem à reserva.

A próxima reunião preparatória da manifestação já está convocada para dia 15, no Alto do Moinho, em Corroios. Os locais para os encontros que se seguem também já estão escolhidos: Amora e Barreiro, de forma a que, no dia 23, "corra tudo de forma organizada e com o maior número de pessoas", afirma Fernandes Torres.

Ministro anuncia reestruturação

Enquanto os militares se organizam, o ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira, estabelece um prazo para a reestruturação das Forças Armadas. O processo "terá que estar concluído" durante o próximo ano, o que passará pelo reforço das competências do comando militar e por uma liderança operacional conjunta, anunciou ontem, no final da cerimónia de abertura solene do ano lectivo do Instituto de Estudos Superiores Militares.

Durante a sessão, Nuno Severiano Teixeira adiantou algumas das linhas gerais em que se baseará a reestruturação, que abrangerá "todas as estruturas da defesa nacional".

As alterações, cujos estudos técnicos estão já a ser desenvolvidos, prevêem-se para o plano organizacional e operacional e terão como objectivos "clarificar as competências e evitar duplicação de estruturas e funções".

No que se refere à "clarificação de competências", Severiano Teixeira defendeu "um reforço das competência do CEMGFA [chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas]", para que seja "o comandante operacional em permanência", e manifestou-se a favor de um "comando operacional conjunto", com uma "actividade permanente e não excepcional".

No seu discurso, o ministro elogiou ainda a forma como têm decorrido as missões internacionais de paz em que as Forças Armadas estão envolvidas. "Nesta matéria Portugal não está na cauda da Europa", afirmou Severiano Teixeira, citado pela Lusa.

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É vergonhoso o actual estado da nação.É vergonho...

É vergonhoso o actual estado da nação. É vergonhoso que tenhamos permitido que os nossos políticos ...

Anónimo

12.11.2006 23:34

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