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Mudanças nas prestações sociais à vista

Miguel Relvas: "Não há projectos de centro-esquerda e centro-direita, há quem fala e quem faz"

29.04.2011 - 11:27 Por Leonete Botelho, Nuno Simas

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Com o programa eleitoral praticamente pronto, Miguel Relvas adianta as duas prioridades do PSD: um plano de emergência social, a par de outro de crescimento económico.

O PSD apresenta o programa eleitoral na próxima semana. Quais serão as prioridades?
Quem faz o discurso do Estado social criou miséria, fome e desregulação das famílias portuguesas como nós nunca vimos. Nós estamos a precisar de um plano de emergência social e essa será a primeira preocupação de um governo do PSD, a par do crescimento económico. Têm que estar ambas de mãos dadas, para que Portugal tenha um projecto de esperança que também seja um projecto solidário. E aí não há projectos nem de centro-direita nem de centro-esquerda: há a diferença entre quem faz e quem fala. Há gente nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto a passar mal. Não foi para isso que construímos a democracia. Mas temos de ser muito eficientes e rigorosos e separar aqueles que precisam dos que não precisam.

Vai haver rearranjos dos apoios sociais, como o rendimento mínimo ou o rendimento social para idosos?
Vamos ter de ter uma prestação social de eficiência, na qual a economia social vai ter um papel importante. Temos no país um sector muito esquecido, que são as instituições de solidariedade social. E que estão numa situação particularmente difícil, pois os apoios do Estado já são insuficientes face ao número cada vez maior de pessoas que está a recorrer a ele. E que está a ser compensado pelas autarquias. Esse problema vai acentuar-se e teremos de reformular esse apoio. Temos de, obrigatoriamente, ter dinheiro para esses sectores mais débeis. Vamos ter de ser muito exigentes, mais justos...

Como é que se é mais justo, sobretudo se houver menos dinheiro?
A filha do homem mais rico de Portugal não pode pagar nove euros por uma consulta num hospital público, pagando o mesmo que a filha de um desempregado. Não é justo. Quem disser que é justo revela uma grande insensibilidade. E este Governo não foi capaz de fazer as reformas necessárias para se tornar eficiente. Temos hoje um acumular da dívida do Serviço Nacional de Saúde, dívidas enormes nos medicamentos. Mais dia menos dia vai ser notícia que vão cancelar a construção de hospitais importantes fora das áreas de Lisboa e Porto. Ao fim de seis anos, o Governo deixa apenas obra de fachada. Não foi capaz de lançar os instrumentos para o desenvolvimento.

O que se pode esperar da iniciativa Mais Sociedade, cujo evento final decorre hoje e amanhã?
Temos orgulho de ter conseguido mobilizar centenas de independentes de peso da sociedade portuguesa. Só um partido que está a gerar a mudança é que é capaz de o fazer. É um projecto de mudança que está em causa. Está ali gente que no passado apoiou o PS e outras forças políticas e agora está com o PSD, porque acredita que está aqui o testemunho da mudança. Temos orgulho nas propostas e no caminho feito, apesar de ter sido encurtado pelo calendário eleitoral. Hoje e amanhã serão apresentadas as dez linhas gerais pelos dez sponsors, que trabalharam com a maior liberdade. E nós agora temos também a maior liberdade para as aceitar ou não. Mas já fomos trabalhando, tem sido um trabalho muito sério.

Como é que o PSD vai conseguir, num mês, contornar a mensagem, muito forte, do Governo e do PS?
Com a credibilidade da confiança e da realidade. Ainda pode haver alguns portugueses que querem ser enganados, mas a maioria já não quer enganada. A verdade é que este primeiro-ministro chumba em todas as avaliações: teve uma maioria absoluta durante quatro anos, teve, já em minoria, dois orçamentos aprovados num Parlamento que nunca foi obstáculo. Teve todas as condições e, este ano, já vamos em três défices. Acha que é normal? Portugal está doente e quem o vai curar não é quem criou a doença.

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