Miguel Macedo desmente Sócrates, negando que tenha havido consolidação orçamental em 2010

31.01.2011 - 17:20 Por Margarida Gomes
Miguel Macedo desmentiu hoje o primeiro-ministro, negando que em “2010 tenha havido consolidação orçamental do ponto de vista estrutural” e disse mesmo que pelo sexto ano consecutivo de “governação Sócrates”, Portugal teve um “crescimento económico medíocre e claramente insuficiente para conter a espiral do desemprego”.
“O que houve, sim, foi redução conjuntural do défice, à custa de mais impostos e de novas receitas extraordinárias”, disse o líder da bancada parlamentar, explicitando que “a única tarefa que competia ao Governo fazer – reduzir a despesa do Estado – o Governo não foi capaz de fazer, por isso, não podemos estruturalmente falar em consolidação orçamental”.
Ao discursar na abertura das Jornadas Parlamentares do PSD, que decorrem hoje e amanhã em Braga, subordinadas ao tema “Solidariedade e Crescimento”, o líder do grupo parlamentar dos sociais-democratas disparou contra o primeiro-ministro, acusando José Sócrates de recorrer sistematicamente ao “ilusionismo, a propaganda e a mentira”.
E daí partiu para a explicação. “Em 2010 teremos tido um escasso crescimento da economia. Um crescimento económico que fica, uma vez mais, abaixo da média europeia. Um crescimento económico medíocre e claramente insuficiente para conter a espiral do desemprego. Estamos no sexto ano consecutivo de governação Sócrates. Registamos o sexto ano consecutivo de divergência em relação à União Europeia. Esta é a verdade dos factos, Tudo o resto é propaganda, ilusionismo e mentira”, disse.
Depois colocou o dedo na ferida do desemprego e da falta de investimento. “O que não é propaganda é o desemprego brutal que alastra, atingindo já hoje mais de 600 mil portugueses e mais de 100 mil jovens, perante a passividade do Governo, a resignação do Governo, o silêncio do Governo e a insensibilidade social do Governo”. E prosseguiu:”O que não é mentira é o investimento que cai, é o poder de compra que baixa, são os impostos que crescem, são as dificuldades que aumentam para a generalidade dos portugueses. Sobre isto o primeiro-ministro não fala, porque tudo isto viola e mata o seu bacoco triunfalismo político”.
Sócrates “vive num mundo à parte”
Mas o líder da bancada parlamentar do PSD foi mais longe. “Mas o que não é ilusionismo político é a tendência insustentável dos juros da dívida pública que ameaçam o nosso futuro e são, nem mais nem menos, o grande sinal exterior de desconfiança dos mercados, dos investidores e dos financiadores em relação ao Governo português e à sua retórica oca e inconsequente”.
Acusando o primeiro-ministro de “viver num mundo à parte, insensível ao drama das pessoas, quase ofensivo”, o deputado do PSD afirmou que “dizer-se que “este Governo é de esquerda ou que é defensor do Estado social é a maior mentira da nossa democracia”.
“O Governo vai matando o Estado social porque é incapaz de reformar, disciplinar e controlar o esbanjamento de recursos do estado empresarial”, insistiu na acusação, partindo para assinalar diferenças entre PS do PSD. “Nós, ao contrário, queremos pôr ordem e disciplina no estado empresarial, diminuir o seu tamanho e cortar nas suas estruturas e despesas improdutivas e inúteis, como forma de contribuir para manter e reformar o Estado social”.

