O candidato à presidência do PSD Luís Filipe Menezes defendeu hoje que o partido deve “retomar a liderança” da discussão das grandes questões ambientais, acusando a esquerda de ter uma lógica ambientalista “do Parque Jurássico”.
“A bandeira da política do ambiente foi conquistada pelo PSD, por militantes e dirigentes como Carlos Pimenta, na década de 80. Não faz nenhum sentido que hoje seja a esquerda socialista, ligada a uma lógica ambientalista um pouco do Parque Jurássico, a liderar as grandes questões ambientais”, afirmou aos jornalistas na Urgeiriça (em Canas de Senhorim), onde durante décadas esteve sedeada a Empresa Nacional de Urânio.
Menezes criticou “uma certa esquerda que muitas vezes reivindica uma terminologia de Verde, mas que continua a ser verde por fora e vermelha por dentro”, porque “tem mais preocupações ideológicas, por estar ligada a preconceitos de um mundo que já acabou, do que propriamente vontade de defender questões ambientais numa lógica correcta, de futuro, equilibrada e sem excessos”.
Por considerar que o PSD tem condições para retomar esta bandeira, decidiu deslocar-se hoje às minas da Urgeiriça, em Canas de Senhorim, onde decorrem trabalhos de requalificação.
Na opinião do presidente da Câmara de Gaia, actualmente “o principal passivo ambiental em Portugal não é porventura aquele que é mais espectacular, que tem a ver com a erosão costeira, mas talvez o das mais de 300 minas abandonadas em Portugal”.
60 minas com resíduos perigosos
Apesar de em Canas de Senhorim se terem dado “dados positivos nos últimos tempos”, o que considera ter acontecido “graças ao esforço dos autarcas e dos agentes políticos locais”, Luís Filipe Menezes alertou que “à escala nacional há ainda mais de 60 minas com resíduos muito perigosos, mal monitorizados”.
“Existe um relatório nacional que foi feito por uma comissão de peritos, onde estava envolvido o professor Veiga Simão, que se tornou público em 2005 e apontava para um investimento de cerca de 70 milhões de euros à escala nacional, nada disso avançou”, criticou.
Na sua opinião, tal facto prende-se com a forma como está organizado o Ministério do Ambiente.
“Há 14 entidades que gerem esta problemática das minas abandonadas, o que significa que ninguém gere. Ainda para mais há um modelo institucional muito duvidoso de uma empresa pública (EDM- Empresa de Desenvolvimento Mineiro) que acaba por ter interesses imobiliários, económicos, subjacentes à sua actividade de gestão do passivo ambiental destas minas”, afirmou.
Neste âmbito, o candidato à liderança do PSD defendeu que seja encontrado “um modelo institucional eficaz com uma única entidade, manifestamente imparcial”, criado um programa de reabilitação das minas e dos resíduos e que haja uma publicitação da situação, “para a opinião pública e os agentes políticos conhecerem qual é a realidade nacional”.


