Menezes fala de "índios da Amazónia" entre eleitores do PSD 
27.09.2007 - 08:46 Por :, Leonete Botelho e São José Almeida, com Lusa
Ainda à espera da resposta de Manuela Ferreira Leite ao apelo que lhe dirigiu para intervir no processo das eleições directas no PSD, Luís Filipe Menezes voltou ontem às denúncias de irregularidades nos cadernos eleitorais, sugerindo que há militantes que devem ser "índios da Amazónia".
É o chamado "escândalo da emigração". "Em 24 horas, passam de 80 para 1200 militantes com as quotas pagas. Uma recôndita cidade da Amazónia de que nunca ninguém ouviu falar tem 200 militantes do PSD. Devem ser os índios ianomani, com certeza", declarou, citado pela Lusa.
Apesar de desafiada, a presidente do conselho nacional declarou ao PÚBLICO que não aceitava fazer quaisquer declarações sobre o apelo lançado por Menezes.
Ontem, no Alentejo, Menezes não assumiu se vai ou não avançar para o Tribunal Constitucional, mas a confusão instalada em torno dos cadernos eleitorais serviu para Santana Lopes fazer um apelo ao "bom senso" e recomendar o adiamento das eleições. E bom senso era, segundo Santana Lopes, "a presidente da mesa do congresso e o conselho de jurisdição, os dois em conjunto dizerem que adiam as eleições, até estar claro quem é que tem direito a voto". Afirmando-se sobretudo preocupado com o que se pode seguir às eleições, Santana diz que "em princípio vai votar", mas recusa-se a revelar em quem. E confessa-se desgostoso com o partido: "Uns são elite, outros são plebeus, mas tudo misturado, Santa Maria de Deus, que espectáculo!"
Procurando distanciar-se da agitação, Dias Loureiro, que coordenou a moção com que Marques Mendes se apresenta aos militantes, demarcou-se das declarações do autarca de Gaia. "Tenho todo o respeito pelo doutor Luís Filipe Menezes, mas não posso de nenhuma maneira estar de acordo com as declarações que li."
O conselheiro de Estado e antigo ministro de Cavaco Silva defendeu que "o PSD é uma grande instituição da democracia portuguesa, teve sempre o respeito dos portugueses e, durante muito tempo, teve a confiança dos portugueses para governar", pelo que, prosseguiu, "o que é sempre desejável é um PSD que preze os valores da democracia também na sua vida interna". "Não é neste clima que o PSD granjeará o respeito e confiança dos portugueses", advertiu Dias Loureiro, sublinhando que "a ambição do partido é de, em todos os momentos, ser merecedor da confiança dos [seus] concidadãos". Duro no ataque a Menezes foi o eurodeputado Vasco Graça Moura, apoiante de Mendes, acusando-o de estar a promover uma "peixeirada". "Se Menezes não ganhar o partido, quer que ele seja destruído", vaticinou. Mas ficou sem resposta, porque Menezes se recusou a comentar estas declarações. Hoje Marques Mendes e Luís Filipe Menezes encerram a campanha, jantando com militantes. O líder social-democrata estará nas Caldas da Rainha e o autarca de Gaia no Mercado Ferreira Borges, no Porto.
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