Luís Filipe Menezes garantiu ontem que só não entrou na corrida à presidência da Câmara do Porto porque não quis. "Quiseram-me no Porto e eu não quis: preferi ficar em Gaia", revelou, de pé, diante de um microfone, voltado para as dezenas de banhistas e munícipes que, ontem de manhã, assistiram à inauguração da frente de mar da Aguda, em Vila Nova de Gaia.
De pé, e num tom firme, Menezes garantiu também que é a última vez que se candidata à presidência da Câmara Municipal de Gaia. "Se me derem confiança, cumpro este mandato e não faço mais nenhum", prometeu o social-democrata, à beira de cumprir oito anos na liderança da autarquia gaiense. Recandidato agora um terceiro mandato, Menezes apontou os vícios inerentes à eternização no cargo político para sustentar a sua promessa de, caso vença as autárquicas de Outubro, deixar o cargo ao fim de 12 anos. "Depois de muito tempo, as pessoas começam a confundir o cargo com a sua própria casa e deixam-se enlear por métodos ínvios e perdem energia. Daqui a quatro anos, não estarei aqui", disse. Ao mesmo tempo, foi apontando caminhos noutras direcções, nomeadamente o de poder voltar a disputar a liderança do PSD, depois de ter perdido a corrida para Marques Mendes no último congresso. "Fui candidato à liderança de um grande partido e, no futuro, poderei voltar a sê-lo", admitiu.
Feita a opção, o autarca passou em revista a obra feita para se desdobrar nos apelos ao voto "consciente". "Se votarem em consciência, acatarei o resultado, seja ele qual for", sublinhou, lembrando que o voto existe "para afastar os que merecem ser repudiados e criticados". "Vão votar, mandando embora os que não prestam e premiando os que trabalham", exortou.
Para refrescar a memória dos eleitores, Menezes recordou que, quando há oito anos assumiu a liderança do município, este enfermava de problemas como "lixo por todo o lado, praias poluídas, nenhuma acessibilidade estruturante sequer desenhada no papel e filas de trânsito". Tudo, sustentou, por culpa do que qualificou como "incompetência" do PS, cuja lista é encabeçada por Barbosa Ribeiro. Oito anos depois, Menezes reivindica ter afirmado Vila Nova de Gaia no mapa nacional mercê da aposta na qualidade das praias, atestada pelas bandeiras azuis, "do passadiço marítimo conhecido em todo o país, das três mil casas construídas e dos bairros degradados arrasados".
A lista enumerada pelo candidato abarcou ainda vias recentemente inauguradas, como a VL9 e a Avenida de D. João II, e diversos equipamentos espalhados pelo concelho. E foi com base na contabilidade que fez que Menezes insistiu na necessidade de os cidadãos, através do voto, "discernirem o bem do mal", sem se aterem a cores partidárias, porventura tendo presente a recente viragem do país à esquerda. "Deixem os emblemas em casa e votem nas pessoas que trabalham", insistiu. A CDU, cuja lista é encabeçada pela eurodeputada Ilda Figueiredo, mereceu do social-democrata uma curta referência: "Há uma pequena minoria que é tão sectária que queria que tudo corresse mal em Gaia para poder continuar a dizer mal. Mas essa minoria não vai ganhar".
Este pontapé de saída para a refrega autárquica foi dado perante dezenas de banhistas e munícipes que assistiram à inauguração da requalificação da frente marítima da Aguda. A empreitada, inserida no plano geral de requalificação da orla marítima de Gaia, consistiu na execução da rede de águas pluviais e no arranjo da Rua do Mar. O custo rondou os 130 mil euros, quantia bastante para, segundo os panfletos distribuídos pela autarquia, "melhorar a qualidade de vida das pessoas" e aumentar a "competitividade da actividade empresarial" da zona. A marginal marítima conta já com 15 quilómetros de passadiços, sendo que as praias da Aguda e Miramar ostentam, desde o final de Julho, o galardão Praia Acessível - Praia para Todos, instituído no âmbito do Ano Europeu das Pessoas com Deficiência, para premiar a construção de equipamentos destinados a melhorar o acesso das pessoas com mobilidade reduzida.


