Menezes: “Campanha foi a mais intelectualmente medíocre da democracia portuguesa”

25.09.2009 - 10:15 Por Nuno Ribeiro, em Madrid
A campanha eleitoral que hoje conclui foi a mais medíocre da democracia portuguesa, considera Luís Filipe Menezes em artigo publicado na edição de hoje do diário “El País”. O antigo presidente do PSD defende o TGV e enumera pontos que, segundo ele, devem nortear as relações entre Portugal e Espanha.
"A campanha eleitoral em curso, a mais intelectualmente medíocre da história da democracia portuguesa, extraviou-se em pormenores sobre quem tem ou não capacidade para apresentar propostas concretas com poder de mobilização”, observa o antigo dirigente social-democrata no texto publicado no el Pais. No artigo, intitulado “Portugal e Espanha”, o presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia considera que durante a campanha “ninguém foi capaz de assinalar quais os grandes projectos que devem condicionar as propostas programáticas”.
Afirmando-se “patriota”, “nacionalista moderado” e “europeísta convicto”, Menezes diz-se convicto de que a “Espanha é o principal objectivo e desafio de Portugal nas próximas décadas”. Por isso, assinala que “um programa eleitoral inteligente deveria incorporar soluções e propostas que nos situariam em condições de vencer a pacífica batalha peninsular” que é a existência, na Península Ibérica, de “um mercado de proximidade” com mais de 52 milhões de consumidores.
Neste ponto, Luís Filipe Menezes defende o TGV. “A ligação por alta velocidade ferroviária de passageiros e mercadorias entre Portugal e Espanha é iniludível a partir do momento em que a Espanha impôs tal opção em todo o seu território”, considera. “Lisboa e Porto não podem ficar de fora de uma corrida de qualificação na qual estão incluídas Sevilha, Valência, Barcelona, São Sebastião… e Vigo”, assinala. “A Aljubarrota de hoje não se vence com lanças nem com “alas de namorados”, nem muito menos com nenhum tipo de isolamento”, sublinha.
Referindo que a alta velocidade não é mais do que um detalhe de uma visão de fundo global e coerente, Menezes critica o PS porque, durante quatro anos e meio, “encheu a boca de Espanha mas a verdade é que nada fez”. Quanto ao PSD, o antigo presidente “laranja” mostra-se optimista: “o PSD é suficientemente aberto e democrático para que muitos que pensam como eu possam defender e levar à vitória esta nossa visão do interesse nacional”.

