O líder do PSD afirmou hoje que o primeiro-ministro, José Sócrates, poderá ser confrontado com uma grave crise quando terminar a presidência portuguesa da União Europeia e tiver de enfrentar os problemas reais do país, à semelhança do que aconteceu com António Guterres em 2000.
"A partir de Janeiro, quando José Sócrates tiver de discutir o país sem cimeiras, não sei se não acontecerá algo como aconteceu com António Guterres, quando desceu ao real, após a presidência Portuguesa", afirmou Luís Filipe Menezes.
O líder do PSD, que falava durante a inauguração da nova sede do partido em Oliveira de Azeméis, acredita que “vai aparecer uma grande crise no Governo após a festa e as coisas se vão complicar para José Sócrates”.
Menezes diz que uma das razões que levou o PSD a abdicar da realização do referendo ao novo tratado europeu – aprovado na cimeira de Outubro em Lisboa – foi a convicção de que era necessário evitar que “o primeiro-ministro tivesse os portugueses mais seis meses distraídos dos problemas do país”.
Por outro lado, acrescentou, os portugueses poderiam aproveitar o referendo para manifestar o seu descontentamento com as políticas do Governo “colocando em causa as responsabilidades [de Portugal] no projecto europeu”.
O novo líder social-democrata afirmou que, nos últimos dois meses, tem liderado uma “oposição tranquila” por considerar que o país não estaria atento às suas propostas, mas prometeu que, “a partir de Janeiro, o PSD vai demonstrar aos portugueses que tem um rumo” para Portugal.
Entre as propostas que promete apresentar no próximo ano, Menezes destacou um “grande programa” de privatizações, mudanças na legislação laboral, a liberalização da educação e um pacote para a descentralização da administração, garantindo que o grupo parlamentar vai ser uma peça fundamental no combate político.
“O PSD está no bom caminho. Os estudos de opinião indicam um crescimento sustentado e devemos ser serenos porque as eleições são daqui a dois anos. Primeiro temos de convencer os portugueses a estarem atentos às nossas propostas e depois vão aderir”, concluiu.


