Menezes acusa o PSD de privilegiar a "metodologia de ascensão ao poder"

18.07.2008 - 08:25 Por PUBLICO.PT
Luís Filipe Menezes acusa o PSD de ser um partido cuja matriz ideológica privilegia a subida ao poder. Num artigo de opinião publicado hoje no "Diário de Notícias", o ex-dirigente do PSD acusa a actual dirigente, Manuela Ferreira Leite, de ter um discurso generalista, com omissões e de um conservadorismo radical.
Menezes parte de uma sondagem do "Jornal de Notícias", que põe o PS perto da maioria absoluta, e mostra o distanciamento progressivo do PSD. O presidente da Câmara de Gaia diz que o “que é mais espantoso nesta sondagem é verificar que o PSD não usufrui do estado de graça de uma líder recém-eleita, nem sequer recolhe os dividendos políticos da "crise"”.
O artigo denuncia a ausência de crítica que a novo PSD tem sofrido, comparando sempre com o que se passou durante a sua presidência. “Nestes 45 dias ninguém criticou as omissões, os silêncios, o discurso generalista, ou o conservadorismo radical da actual direcção do partido. Ainda bem, todos merecem o seu estado de graça”, diz.
Explica ainda que os apoiantes do PSD têm que entender a razão de em 30 anos, o partido ter-se especializado em destruir os seus presidentes, só tolerando Sá Carneiro e Cavaco Silva. “O PSD nasceu com uma matriz ideológica difusa, privilegiando sempre a metodologia de ascensão ao poder, em detrimento do discurso substantivo que faça de cada ascensão um modo de reformar a comunidade”, explica.
“Quando assumi funções comecei de imediato a trabalhar no sentido de alterar este estado de coisas.”
“Não tenho dúvidas de que éramos mais representativos, intelectualmente mais sólidos, culturalmente mais bem preparados, politicamente mais experientes, ideologicamente mais esclarecidos, mais carismáticos e melhores comunicadores”, assume.
O presidente da Câmara de Gaia acredita que foi alvo de uma substituição que “decorreu de um conjunto de acções concertadas, que no seu conjunto consubstanciaram um verdadeiro golpe palaciano”. O motivo desse “golpe” foi a vontade de mudança nos postos do PSD, desde as autarquias até ao Parlamento Europeu.
“Isso significaria o fim do cartão de identificação para muitos para quem a política e o PSD são um mero livre-trânsito para embaixadas, recepções e visitas de Estado ao estrangeiro”, acusa.
Apesar de estar aberto a propostas e ideias da nova presidência, Menezes critica as substituições feitas por Ferreira Leite. “A substituição de Ângelo Correia por António Capucho não deu mais credibilidade à liderança do Conselho Nacional, que a substituição de Amorim Pereira por Morais Sarmento não trouxe nada de novo. Finalmente é óbvio que a substituição de Santana Lopes por Paulo Rangel diminuiu substancialmente a capacidade de afirmação parlamentar”, analisa.
O ex-presidente do PSD diz que cumpriu o objectivo da sua demissão. “Não houve uma eleição eufórica e já está provado que não é a mudança de "chefe", por mais que um substituto seja levado ao colo pelos interesses instalados e pela intelligentsia que parasita o statu quo, que resolve as entorses estruturais do PSD.”
Apesar de assegurar que vai continuar a dar o seu contributo, Menezes conclui que para a sobrevivência do PSD, o partido vai ter que se modernizar e de se repensar ideologicamente.

