O presidente da Câmara de Gaia afirmou hoje que a polémica do BPN “acabará por beneficiar” Cavaco Silva e “prejudicar” quem usa esse argumento, o “único” que “aqueles que querem desalojar o actual Presidente da República arranjaram”.
“Em meu entender, acabará por beneficiar Cavaco Silva porque não adianta chamar nomes a uma pessoa e lançar nuvens de poeira quando esse caminho contradiz toda a ideia que o povo português tem dessa pessoa”, destacou Luís Filipe Menezes, à margem da inauguração do infantário Casa do Povo da Madalena.
O autarca defendeu que “as pessoas sabem em Portugal que Cavaco Silva é uma pessoa com seriedade e princípio”, pelo que “tudo o que se possa dizer no sentido de ofuscar” essa imagem, “acaba por prejudicar quem usa esses argumentos”.
Para Menezes, é “de uma enorme pobreza, do ponto de vista de debate democrático, que aqueles que querem desalojar o actual Presidente da República” tenham encontrado “de há dois meses para cá”, um “único argumento”.
O social-democrata considerou que a própria pré-campanha eleitoral é “genericamente pobre” pelo facto de “haver pouca disputa”.
“Um (jogo) Porto-Benfica mobiliza muito mais gente que um do Porto contra uma equipa qualquer regional”, exemplificou.
Menezes destacou ainda “a própria inércia e falta de coragem de os políticos em geral colocarem em cima da mesa a necessidade de repensar o sistema semi-presidencial de Portugal, face à experiência dos últimos 30 e tal anos”.
Para o autarca, o actual sistema “não corresponde já às necessidades” pelo que “é preciso pensar no sentido de uma parlamentarização ou reforço do presidencialismo para que as pessoas se sintam mais mobilizadas para escolher um presidente”.


