Mendes diz que Passos corre o risco de perder as próximas legislativas

18.02.2012 - 01:29 Por Margarida Gomes
O ex-líder do PSD, Luís Marques Mendes, disse sexta-feira à noite, no Porto, que o primeiro-ministro “corre o risco” de perder as próximas eleições legislativas, devido às difíceis medidas de austeridade que o Governo tem vindo a decretar aos portugueses.
“Ele [Pedro Passos Coelho] não está a governar para ganhar eleições, até corre o risco de não ganhar as próximas eleições, mas há uma coisa que eu tenho a certeza: ele não vai substituir nunca o interesse do país pelo interesse do partido, não vai colocar nunca o interesse das próximas gerações abaixo do interesse das próximas eleições – isto dá uma grande confiança”, declarou o ex-líder social-democrata.
À entrada para a sessão, num hotel do Porto, onde foi tornado público o programa de revisão do partido, uma tarefa confiada pelo presidente do PSD a José Pedro Aguiar-Branco, Marques Mendes avisou o Governo que “num momento tão difícil o país não pode falhar”, sob pena de se verificar uma situação de caos.
“O momento que vivemos é muito difícil e é daqueles momentos em que Portugal não pode falhar, porque se falhar é o caos. Neste momento temos de fazer um esforço enorme para ter uma linha política para a conduzir com muita firmeza e acreditar que vamos ter sucesso e, nesse plano, o PSD tem a responsabilidade maior”, disse o ex-presidente do PSD, que considera, no entanto, que Portugal acaba por ter “sorte”, porque tem “um primeiro-ministro que é é um homem sério e corajoso”.
“E nós neste momento precisamos de muita coragem”, disse, salientando depois que existe uma outra razão que legitima a “sorte” que o país tem. “Conheço bem [Passos Coelho] e sei que ele em todos os momentos vai colocar o interesse do país à frente dos interesses do partido e neste momento isso é decisivo”, decretou Mendes.
Afirmando que os partidos têm de estar ao serviço das pessoas, Marques Mendes não enjeita as críticas que se têm feito ouvir contra as políticas do Governo. “Acho que se pode criticar o Governo por várias coisas de pormenor, ainda que possam ser importantes, mas a linha estratégica que está a ser seguida é correctíssima”. Sobre a revolta que os portugueses sentem por tanta austeridade, Mendes até concorda e confessa que ele próprio sente “alguma revolta interior”.
“Acho que as pessoas estão revoltadas, estão desesperadas, estão angustiadas e eu próprio olho para algumas decisões e sinto uma certa revolta interior, só que acho que não me devo revoltar relativamente a quem está a tentar construir soluções, mas sim revoltar-me relativamente contra quem criou este problema”, afirmou.
Mas perante a situação que o pais atravessa, Mendes entende que “não há alternativa a esta política” e deixou um recado ao PS de António José Seguro. “Deixemo-nos de habilidades e, sobretudo, de hipocrisias, se o PS estivesse neste momento no Governo 95% das decisões eram rigorosamente iguais. Dizer o contrário é mentira ou é demagogia”, atirou Mendes, encorajando Passos a não desistir, ao mesmo tempo que pediu medidas que incentivem o crescimento económico e denotem “preocupação de carácter social”.
Passos “é fiel ao património” do partido
Já na sessão de apresentação do programa de revisão, Aguiar-Branco, que presidiu à comissão executiva para a revisão do programa do PSD, fez elogios ao Governo e responsabilizou o PS pelo estado em que o país se encontra e aproveitou a oportunidade para dizer que discordava de Marques Mendes que momentos antes afirmara aos jornalistas que se o PS estivesse no Governo neste momento “95% das decisões eram rigorosamente iguais”. E aproveitou para afirmar que “sempre que o FMI esteve em Portugal nunca foi por causa de governo do PSD, mas sim de governos do PS”.
Aguiar-Branco sossegou aqueles que criticam o líder do partido de “não ser fiel ao património do PSD”, enfatizando que esse património está garantido no programa de revisão do partido, cuja versão final será aprovada no próximo congresso dos sociais-democratas, marcado para finais de Março.

