As notícias que envolvem o primeiro-ministro com o caso Freeport começaram, nos últimos dias, a despertar a atenção da imprensa internacional.
Hoje o diário espanhol “El País” apresenta um Sócrates “debaixo de fogo”, referindo-se às suspeitas que têm sido levantadas sobre o envolvimento do primeiro-ministro com o licenciamento do centro comercial Freeport.
O jornal vai buscar as notícias, ontem publicadas na imprensa portuguesa, sobre o conteúdo da carta rogatória enviada pelas autoridades britânicas à Procuradoria Geral da República. Na carta, noticia o "El País", citando a imprensa portuguesa, estaria escrito que existem “suspeitas de que Sócrates pudesse ter ‘solicitado, recebido ou facilitado pagamentos’ durante o processo de licenciamento do Freeport de Alcochete”.
O “El País” refere ainda a discrepância entre as notícias e os resultados das investigações judiciais: “os ataques e acusações proliferarem nos meios de comunicação, apesar das provas não aparecem com igual intensidade”.
O artigo esclarece também que em Portugal "é ano de eleições e que há quem acredite que a campanha já começou”.
Para além do caso do licenciamento, o diário espanhol escreve sobre a lentidão da justiça portuguesa. Porque o processo Freeport, “pese o impacto mediático, não é mais relevante do que os processos que se acumulam no poder judicial português, que se move a passo de tartaruga, como admitiu o próprio Procurador [Geral da República], Pinto Monteiro”. E o jornal cita, como exemplo, as buscas no Banco Privado Português e as investigações no recém – nacionalizado BPN. Mas, refere ainda o “El País”, “o caso mais grave por resolver é o de abusos sexuais de menores na Casa Pia”.
Também em França o caso começa a ter eco. Hoje o canal de televisão por cabo Euronews noticia na sua versão inglesa o comunicado ontem feito pelo primeiro-ministro. “Sócrates nega quebra de regras no caso Freeport”, pode ler-se como título da notícia colocado no site do canal. Na mesma peça, a Euronews destaca o facto de 2009 ser ano eleições em Portugal. “Sócrates mantém-se firme depois de um velho escândalo o assombrar em ano de múltiplas eleições”.
Já a agência AFP, apresenta o caso na sua versão portuguesa: “a justiça portuguesa confirmou nesta quinta-feira, sem citar nomes, a abertura de investigação, por parte da justiça britânica, de um caso presumível de corrupção no qual estaria envolvido o primeiro-ministro luso, José Sócrates”.
Na imprensa britânica, país onde também decorrem investigações sobre o caso Freeport, o jornal “The Independent” apresentou a 27 de Janeiro, um “primeiro-ministro português [que] promete defender a sua honra”. E acrescenta que “o escândalo reemerge na pior altura para Sócrates, pois irá disputar eleições no próximo Outono e quando o país defronta uma crise económica e financeira”
As notícias sobre o licenciamento do Freeport chegaram também à Croácia – “primeiro-ministro português diz-se vítima de campanha para manchar a sua reputação” – através do jornal online Javno e também à China. “O primeiro – ministro de Portugal, José Sócrates, recusou ontem as versões difundidas pelos meios de comunicação social sobre o caso Freeport, que o associam a um escândalo de corrupção que remonta ao tempo em que era ministro do Ambiente”, pode ler-se na versão espanhola do portal noticioso www.xinhuanet.com .


