A deputada independente eleita nas listas do PS Matilde Sousa Franco disse hoje estar indisponível para um novo mandato, reconhecendo ter sido "muitíssimo difícil" o seu exercício das funções parlamentares numa bancada que impõe a disciplina de voto.
Numa declaração no plenário da Assembleia da República, Matilde Sousa Franco recordou o convite do secretário-geral do PS, José Sócrates, para ser cabeça de lista em Coimbra, cidade com a qual tem "uma profunda ligação". Na altura, recordou, colocou como condição para aceitar o convite fazer campanha pelo não no referendo ao aborto, tendo tudo ficado acordado.
"Para minha completa surpresa, quando cheguei à Assembleia da República foi-me de imediato imposta a disciplina de voto em tudo e, ainda por cima, inesperadamente começaram a surgir uma série de diplomas com os chamados temas fracturantes e outros, não incluídos no programa eleitoral, além do Código do Trabalho ter sido alterado", lembrou. Desta forma, continuou, "tem sido naturalmente muito difícil" o exercício do mandato.
Acerca dessas dificuldades, Matilde Sousa Franco fez ainda referência à lei do financiamento dos partidos políticos, da qual foi informada "em cima da hora" e que só não votou contra porque já tinha anunciado que nesse mesmo dia iria votar contra cinco diplomas relativos ao Código do Trabalho.
Na hora da despedida, pois como referiu na sua intervenção não está disponível para outro mandato, Matilde Sousa Franco deixou ainda algumas sugestões para uma "melhor democracia". "Considero essencial que haja maior aproximação dos deputados aos eleitores, que a qualidade do processo legislativo melhore, que os deputados tenham mais autonomia e que os independentes o possam ser facilmente", sugeriu.


