Martin Schulz garante que não quis interferir na política externa de Portugal

09.02.2012 - 11:47 Por Victor Ferreira

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Martin Schulz garante que não considera Portugal um país em declínio, como referiu no debate em Bruxelas Martin Schulz garante que não considera Portugal um país em declínio, como referiu no debate em Bruxelas (Foto: Reuters)
O presidente do Parlamento Europeu (PE), Martin Schulz, garante que não pretendeu criticar o primeiro-ministro português sobre o pedido de investimento de Angola, nem quis interferir na política externa portuguesa. O eurodeputado alemão, que assumiu a presidência do PE em Janeiro deste ano, reage assim à notícia do PÚBLICO desta quinta-feira, que dá conta de uma intervenção de Schulz num debate realizado em Bruxelas.

Nesse debate, sobre o papel dos parlamentos na UE realizado a 1 de Fevereiro na Biblioteca Solvay, em Bruxelas – e depois difundido no canal de televisão alemão Phoenix do último domingo –, Martin Schulz referiu-se à visita-relâmpago que o primeiro-ministro português fez a Angola em Novembro de 2011, em que este admitiu ir à procura de capital angolano para as privatizações em curso.

“Há umas semanas estive a ler um artigo no Neue Zürcher Zeitung que até recortei. O recém-eleito primeiro-ministro de Portugal, Passos Coelho, deslocou-se a Luanda. [...] Passos Coelho apelou ao Governo angolano que invista mais em Portugal, porque Angola tem muito dinheiro. Esse é o futuro de Portugal: o declínio, também um perigo social para as pessoas, se não compreendermos que, economicamente, e sobretudo com o nosso modelo democrático, estável, em conjugação com a nossa estabilidade económica, só teremos hipóteses no quadro da União Europeia”. Clique aqui para ver o vídeo com estas declarações.

Esta referência à política externa portuguesa foi recebida com espanto por dois eurodeputados portugueses contactados pelo PÚBLICO. Paulo Rangel (PSD) mostrou-se “muito surpreendido” com as declarações de Schulz: “Vou fazer um pedido formal de esclarecimento” ao presidente do Parlamento Europeu, anunciou. Já Capoulas Santos (PS) afirma que, “como Estado independente, Portugal tem o direito de ter prioridades diplomáticas próprias, tal como todos os outros países”. “Se com estas declarações [Schulz] pretende dizer que há uma incompatibilidade entre as prioridades diplomáticas europeia e portuguesa, não subscrevo”, acrescentou.

Na sequência da notícia do PÚBLICO, o gabinete do presidente do PE enviou um email em que sustenta que "o Presidente Schulz estava apenas a usar o facto de o primeiro-ministro Passos Coelho estar a pedir investimento a um país africano (Angola) como um exemplo de que a Europa irá enfraquecer-se a si própria se não actuarmos em conjunto e mostrarmos solidariedade".

Schulz, prossegue a mensagem, "estava a salientar a importância crescente de África e a demonstrar que a Europa arrisca, e todos nós arriscamos, tornar-nos num continente em declínio se não nos organizarmos". "De modo algum o Presidente Schulz estava a criticar o primeiro-ministro Coelho ou a interferir na política externa portuguesa. E também não disse que Portugal é um país em declínio, é sim uma parte da União Europeia (UE) que está no caminho certo da recuperação e a UE tem de reforçar a sua ajuda a países que sofrem com a crise da dívida soberana."

Veja as declarações de Martin Schulz

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Criticar quem diz a verdade?

Só pelas reacções que provocou, o sr. Schulz está a falar verdade ou anda lá perto. Os chineses já ...

Filipe Sousa

09.02.2012 13:08

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