Luís Marques Mendes vai anunciar amanhã a sua candidatura à presidência do PSD. A decisão do social-democrata surge no mesmo dia em que se soube que Santana Lopes não vai recandidatar-se à liderança.
Marques Mendes, que foi um dos críticos da liderança de Santana Lopes, assumindo as suas divergências no último congresso do partido, fará uma declaração amanhã, às 16h00, num hotel de Lisboa.
O cabeça de lista social-democrata por Aveiro nas legislativas admitiu no domingo que o PSD sofreu "uma derrota histórica" e defendeu uma mudança no partido o mais rapidamente possível.
"Temos de mudar de vida rapidamente para que estes resultados desastrosos não se venham a repetir no futuro", afirmou na altura Marques Mendes, acrescentando que "a proximidade de eleições autárquicas e presidenciais reclama a urgência de uma mudança".
Face aos resultados eleitorais, Marques Mendes sustentou que os militantes sociais-democratas devem assumir as suas responsabilidades. "Eu, como sempre fiz, tomarei as minhas", afirmou, abrindo a porta a uma eventual candidatura à liderança do PSD, que hoje se confirmou.
"É importante não cruzar os braços (...), mobilizar todos aqueles que sentem vontade, energia e capacidade para ajudar a fazer esta mudança", sustentou.
O PSD obteve 28,7 nas legislativas de domingo, ficando cerca de 16 pontos percentuais atrás do PS, que alcançou maioria absoluta.
Desde logo, vários sociais-democratas defenderam a demissão de Santana Lopes, a começar pelo histórico Miguel Veiga, um dos fundadores do partido. Veiga fez ainda votos para que apareçam vários candidatos à sucessão de Santana Lopes, prevendo que um deles seja Luís Marques Mendes.
Ainda na noite eleitoral, António Borges, ex-vice-governador do Banco de Portugal e outro dos críticos de Santana no PSD, afastou a possibilidade de avançar com uma candidatura à liderança do PSD, considerando que não tem "nem curriculum, nem experiência" para conduzir o partido.
O economista elegeu Manuela Ferreira Leite como a "candidata ideal" para disputar a Santana Lopes a presidência do partido, sublinhando que "é preciso uma revolução" dentro do PSD.
Hoje, Luís Filipe Menezes admitiu a possibilidade de se candidatar à liderança do PSD, mas remeteu uma decisão final para depois de uma conversa com Santana Lopes, sublinhando que não fará "nada que o possa contrariar ou magoar".
Confrontado com a possibilidade de defrontar Marques Mendes numa corrida à liderança do partido, o autarca de Gaia considerou que será "uma disputa de amigos".
Perfil
Aos 47 anos, Marques Mendes candidata-se pela segunda vez à liderança do partido, depois de em 2000, no Congresso de Viseu, ter disputado a liderança com Santana Lopes e Durão Barroso, com este último a sair vencedor.
Nascido em Guimarães, este advogado amante do "body-board" estreou-se nas funções de deputado em 1987 e chegou a presidente do grupo parlamentar do PSD, cargo que ocupa entre 1996 e 1999.
Pelo meio, Marques Mendes desempenhou funções governamentais nos executivos de Cavaco Silva, primeiro como secretário de Estado e depois como ministro-adjunto do primeiro-ministro.
Ao vencer as eleições legislativas de 2002, Durão Barroso chamou Marques Mendes ao Governo, com a pasta de ministro dos Assuntos Parlamentares que ocupou até à saída do ex-primeiro-ministro para a presidência da Comissão Europeia e à nomeação de Santana Lopes como sucessor, em Julho passado.


