Marques Mendes recolhe apoios para candidatura à liderança do PSD

22.02.2005 - 07:24 Por Margarida Gomes, Helena Pereira, PÚBLICO
Luís Marques Mendes ainda não anunciou a sua candidatura à liderança do PSD, mas já se começa a assistir a uma onda em seu favor. Ontem, militantes como Teresa Gouveia, Pacheco Pereira, Rui Carp e Macário Correia declararam sem reservas o apoio ao ex-ministro dos Assuntos Parlamentares de Durão Barroso.
Teresa Gouveia, ex-ministra dos Negócios Estrangeiros, afirmou ao PÚBLICO que ficaria "muito reconhecida" a Mendes se este se candidatar à liderança do PSD. "O PSD, perante esta derrota arrasadora precisa de uma renovação profundíssima, que possa devolver o PSD a si próprio e ao país. O PSD tem que fazer uma oposição séria e credível e tem também que travar duras batalhas, as autárquicas, e apresentar um projecto credível para as presidenciais e há que tratar disso rapidamente", disse.
Segundo Teresa Gouveia, Marques Mendes "tem toda a legitimidade" para se candidatar "pela consistência das suas posições políticas que tem tomado ao longo dos últimos meses e tem as qualidades necessárias para fazer esta renovação do partido e conduzi-lo neste período difícil, de que já deu provas quer no Governo, quer na oposição". Na qualidade de militante de base, a ex-ministra elogia "a autonomia pessoal, a coragem política e a fidelidade ao partido" de Marques Mendes.
O ex-eurodeputado do PSD, José Pacheco Pereira, por seu lado, afirmou ontem à Antena 1 que não será candidato e disse que o tempo é de Marques Mendes. Pacheco Pereira criticou Santana por "nunca assumir as responsabilidades" e voltou a pedir uma demissão das estruturas distritais para que o novo tempo que entender ser necessário no PSD "começasse limpo".
O ex-secretário de Estado do Orçamento de Cavaco Silva, Rui Carp, afirmou ao PÚBLICO, por seu lado, pediu "renovação e bom-senso" para o futuro do PSD. "O país precisa de um PSD forte", defendeu, acrescentado que o PSD tem que saber "chamar as pessoas que foram ostracizadas e outras que se afastaram". Marques Mendes será "um bom candidato" à liderança do PSD, defendeu.
Viega apoia Mendes, mas deseja Marcelo
Inconformado com "os resultados catastróficos" que o PSD averbou, Miguel Veiga pediu ontem "uma vassourada no partido para correr com a clique santanista, que não tem a mínima consciência ética e política dos danos que causou ao partido". "A dimensão da derrota impunha a demissão de Pedro Santana Lopes, se ele tivesse vergonha na cara", disse ao PÚBLICO. Confrontado com a hipótese de Marques Mendes poder avançar, o histórico social-democrata não tem hesitações. "Marques Mendes é uma boa solução, é a solução que o partido precisa para se ver livre de Santana Lopes e da sua clique", declarou.
Perspectivando outras alternativas à liderança, Veiga defende que "Marcelo Rebelo de Sousa é a pessoa que reúne as melhores condições" para dirigir o partido, mas confessa ter dúvidas sobre a vontade do professor avançar. As mesmas dúvidas, de resto, que coloca em relação a Manuela Ferreira Leite. Depois, cita outros nomes que, em sua opinião, seriam possíveis: Rui Rio, Luís Filipe Menezes e Aguiar-Branco.
Fernando Reis, vice-presidente da Mesa do Congresso, entende que, apesar de erros no governo, "Santana Lopes ainda pode ter condições para se manter na liderança", lembrando que só passaram pouco mais de dois meses desde que ele foi "aclamado líder do partido no congresso". Todavia, num cenário de saída de Santana, o ex-líder da distrital de Braga coloca-se ao lado do ex-ministro dos Assuntos Parlamentares. "É inquestionável que Marques Mendes é uma boa alternativa para a liderança do partido", afirma, distanciando-se de uma eventual candidatura de Manuela Ferreira Leite por considerar que "ela é responsável por uma política que os portugueses verberaram nestas eleições". Quanto a Marcelo Rebelo de Sousa, é definitivo: " Já passou o tempo dele".

