Artigo de opinião publicado no Correio da Manhã

Marques Mendes: "liberalização do aborto" terá "consequências graves"

21.01.2007 - 11:29

  • Votar 
  •  | 
  •  0 votos 
Marques Mendes Marques Mendes (DR)
O líder do PSD, Luís Marques Mendes, alerta hoje para as "consequências graves" que terá "a liberalização do aborto", considerando que se irá tornar num "mecanismo de desresponsabilização social".

Num artigo de opinião publicado na edição de hoje do Correio da Manhã intitulado "As razões do meu não", Marques Mendes justifica porque irá votar "não " no referendo de 11 de Fevereiro argumentando que o aborto provocado, fora os casos previstos na lei actual, é "um acto arbitrário e injustificado que destrói um ser humano".

"Para mim, a liberalização do aborto pode ter consequências graves. Promovendo-a, ela torna-se, como sublinhou um deputado do PS no debate de 1997, 'um mecanismo de desresponsabilização social. Consagrando-a, ela traduzirá um sinal de facilidade, não uma ideia de responsabilidade", diz o líder social-democrata .

O PSD não tem uma posição formal para o referendo sobre o aborto por entender que se trata de uma matéria da consciência de cada um.

Apesar disso, Marques Mendes anunciou logo em Dezembro que iria votar " não", tendo agora escrito este artigo de opinião para explicar porque é contra a despenalização da interrupção voluntária da gravidez.

A solução, defende o líder do PSD, deverá passar pelo incentivo à natalidade, caso contrário, promove-se “o aborto, instrumento de destruição de uma nova vida".

O "problema social" do aborto clandestino também é abordado por Marques Mendes que defende o seu combate com "medidas enérgicas, sociais, educativas e económicas", como o planeamento familiar, a educação sexual dos jovens ou o incentivo à adopção.

"Não desconheço que, nesta matéria, todos os Governos têm prometido muito e realizado pouco. Mas, fora essa responsabilidade que todos devemos partilhar, a questão central é esta: numa correcta hierarquia de valores, a escolha só pode ser defender a vida, não destruí-la", sublinha, insistindo que "o mal combate-se , não se legaliza".

"E não se diga que essa é uma tarefa difícil. Também é difícil combater a corrupção, mas combatemo-la. Não a legalizamos", sublinha.

No mesmo texto, o líder social-democrata fala também sobre a prisão de mulheres que fazem abortos, dizendo que não é favorável à pena de prisão para uma mulher que decide interromper a gravidez, "seja antes ou depois da dez semanas". "O que acho absolutamente incongruente na questão que está em referendo é que, até às 10 semanas, se afaste qualquer forma de penalização e que, às 10 semanas e um dia, se aplique a pena de prisão", diz Marques Mendes, considerando que o Direito Penal tem uma "função preventiva, dissuasora e, sobretudo, delimita fronteiras entre o que é ou não é lícito".

Não contestando o direito da mulher de só ter um filho "se e quando desejar, usando da sua plena liberdade e utilizando os métodos contraceptivos que entender", Marques Mendes preconiza, contudo, que essa escolha tem de ser feita " responsavelmente, antes da concepção de um novo ser". "Fora das situações que a lei consagra, o direito da mulher à sua liberdade de escolha termina quando começa o direito à vida de um novo ser humano", refere, salientando que "a liberdade exige responsabilidade", neste caso, a responsabilidade de respeitar o princípio consagrado na Constituição de que a "a vida humana é inviolável".

Marques Mendes alerta ainda para a destruição de um outro princípio fundamental da ética caso a "legalização" do aborto seja consagrada, considerando que "os fins não justificam os meios". "Ainda que a finalidade visada fosse resolver um problema e fosse, porventura, aceitável, meios intrinsecamente maus, sobretudo os que implicam a destruição de vidas humanas, não podem ser utilizadas", afirma, classificando a vida humana como "um valor superior a todos os outros, anterior e superior à própria lei e ao próprio Estado".

Estatísticas

  • 103 leitores
  • 19 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1283090

Comentário + votado

Em relação à liberalização do aborto como em relaç...

Em relação à liberalização do aborto como em relação a qualquer outra questão, as tomadas de ...

Anónimo

22.01.2007 14:36

X

Mais em Política (4 de 5 artigos)

Ribeiro e Castro diz que os hospitais distam largos quilómetros por estradas que não são famosas Ribeiro e Castro pede revisão do sistema de socorro em Odemira