Marques Mendes: Governo está a tornar-se numa "comissão eleitoral do PS"

23.03.2005 - 07:48 Por Lusa
O candidato à presidência do PSD Luís Marques Mendes acusou ontem à noite o Governo de se estar a tornar numa "comissão eleitoral do PS", afirmando que vai adiar as decisões para depois das autárquicas.
"Parece que o Partido Socialista e o seu Governo está mais interessado em comportar-se como uma comissão eleitoral a pensar nas autárquicas [eleições que se realizam em Outubro] do que em ser um Governo com uma postura verdadeiramente responsável e nacional", disse Marques Mendes, em Torres Vedras, durante um jantar com militantes da distrital da área oeste de Lisboa.
"Há que dizer ao primeiro-ministro e ao Governo que foi eleito com uma maioria significativa e com uma expectativa alta para governar e não para se tornar numa comissão eleitoral do PS", frisou.
Marques Mendes explicou que após ter ouvido o debate do programa do Governo, que se realizou segunda e terça-feira, ficou "com a sensação que o primeiro-ministro e o Governo se preparam para adiar lá para Outubro a tomada das decisões urgentes e difíceis que o país precisa".
Segundo o candidato à liderança social-democrata, em vários momentos (do debate do programa do Governo) o primeiro-ministro anunciou medidas para o futuro e não para o imediato.
"Daqui a seis meses apresentaremos esta proposta, em Outubro com o orçamento apresentaremos esta iniciativa, vou criar um grupo de trabalho com este objectivo, ou seja, parece e fica a sensação que o Governo vai adiar para depois das eleições autárquicas a tomada das decisões difíceis que o país reclama", acusou.
O ex-ministro dos Assuntos Parlamentares do PSD considerou que isso "é mau para o país, Portugal não se pode dar ao tempo de adiar, tem que decidir é tempo perdido seis meses que seja", o que vai exigir do seu partido uma "oposição imediata e firme e determinada".
"A minha proposta é a de que o PSD deve fazer uma oposição séria e responsável a bem da credibilidade do nosso partido", disse, perante cerca de uma centena de militantes.
Por outro lado, alertou que "o PSD não pode limitar-se a fazer uma oposição de crítica e reactiva e sobretudo não pode ser uma oposição a reboque do Governo".
"Havemos de comentar sobre as principais decisões ou omissões do Governo como compete à oposição, mas temos que ir mais longe e sermos inovadores. Comigo na liderança, o PSD vai ter uma agenda política própria, o seu programa próprio e com propostas concretas e que sejam previamente discutida no partido", acrescentou.
O candidato considerou ainda que as eleições autárquicas são "um momento capital", referindo-se à necessidade de vencer este acto eleitoral e falou também das presidenciais, embora sem nunca referir qualquer nome.
Marques Mendes disse que o país necessita de "um equilíbrio institucional entre a Presidência da República e o Governo".
"A minha convicção é que nunca estivemos tão perto de eleger um Presidente da República da área do PSD", concluiu.

