Marques Mendes diz que "cheira a fim do regime"

13.03.2010 - 18:49 Por Margarida Gomes, Filomena Fontes
O ex-líder do PSD, Luís Marques Mendes, desafiou hoje à tarde, em Mafra, o partido a deixar de perder tempo com querelas internas e preparar-se rapidamente para se apresentar como alternativa credível ao país numa altura em que "cheira a fim de regime".
"O Governo arrasta-se, o primeiro-ministro, que acabou de ser eleito, está sob suspeita e politicamente fragilizado como poucas vezes aconteceu com um primeiro-ministro em Portugal", disse Marques Mendes, comparando a situação política que o país atravessa um "pântano político", a uma "encruzilhada económica e social".
Perante esta emergência, que Mendes chegou a admitir poder desembocar num "impasse político institucional", o ex-líder do PSD alertou o partido para a responsabilidade de apoiar o próximo líder com "lealdade e respeito". "O próximo líder não pode ser demolido, minado ou fragilizado, tem de ter condições para se afirmar", avisou ao mesmo tempo que defendeu que "quem vier a ser eleito deve também congregar e não excluir".
Calorosamente recebido pelos delegados ao XXXII congresso, Mendes deixou duríssimas críticas ao Governo do PS, colocando no centro das suas preocupações a crise na justiça. Aludiu à corrupção. "De nada servem os discursos contra a corrupção, contra as faces ocultas deste mundo... há magistrados que falam de mais, a independência da justiça é uma regra sagrada e não comporta a auto-administração dos juízes", vincou.
Depois elencou um conjunto de medidas que o PSD deveria adoptar como bandeira política, a começar pela necessidade de levar Portugal a crescer acima da média europeia. "Temos de pensar em grande. Este é u m objectivo exequível", declarou.
Avesso a blocos centrais, políticos ou de interesses ("não gosto!"), Marques Mendes defendeu que será decisivo para o PSD demonstrar perante os portugueses que há diferenças com os socialistas, sendo claro nas causas. E convergiu com Marcelo ao deixar um apelo indirecto à unidades dos candidatos, invocando o lema de cada uma das três principais candidaturas. "Precisamos de unir, de mudar e romper, ao mesmo tempo e de todos eles".

