Marques Mendes: défice de 2005 abaixo de seis por cento não é vitória do Governo

07.02.2006 - 11:40 Por Lusa, PUBLICO.PT
O líder do PSD, Luís Marques Mendes, admitiu ontem à noite, no Porto, que o défice orçamental de 2005 deverá ficar abaixo das previsões iniciais, mas não considera que este facto constitui uma vitória do Governo.
De acordo com Marques Mendes, o défice deverá rondar os 5,8 ou 5,9 por cento, mas, apesar de ficar abaixo das estimativas iniciais de 6,2 por cento, "será sempre superior ao de 2004".
"Dentro de dias o valor do défice de 2005 será conhecido. Estou convencido de que será de 5,8 ou 5,9 por cento. Toda a gente vai dar os parabéns [ao Governo] e achar que é uma grande vitória. Eu não acho. Mesmo com mais receita, o déf ice aumenta em relação a 2004, onde foi de 5,2 por cento", afirmou o líder do PSD.
Marques Mendes, que falava num jantar da Associação Comercial do Porto, disse ainda que, "até 2009, o projecto do Governo é de consolidação orçamental mais pela receita do que pela despesa. Isto numa legislatura que é maior do que o normal".
"É quase uma burla, não é a consolidação de que Portugal precisa", afirmou o presidente social-democrata, defendendo uma diminuição do peso real do Estado na vida portuguesa.
"O Estado é demasiado grande e tornou-se insaciável. Ou pomos termo a isso ou daqui a uns tempos teremos de ver quem será a sua próxima vítima. Não podemos, ao arrepio da Europa, continuar a ter um Estado desta dimensão", disse.
E acusou o Governo de, "ao fim de quase um ano de mandato", assumir como prioridade "manter o Estado com a dimensão que tem e arranjar sempre mais impostos para o financiar".
O líder do PSD criticou a política económica seguida pelo Governo, nomeadamente na aposta, que considerou "redutora", no mercado espanhol.
"Não conheço nenhum outro governante que tenha afirmado, com tanta veemência, que a aposta estratégica da política económica do seu país está toda concentrada num único mercado", disse, criticando a "subalternização decretada pelo governo português face a Espanha".
Criticou ainda "o papel de intermediário" do Governo em relação à entrada em Portugal do grupo espanhol de comunicação social Prisa e a "reforço da influência de um dos principais concorrentes da EDP, a Iberdrola, na eléctrica portuguesa".
O líder do PSD defendeu ainda a necessidade de uma aposta maior na competitividade nacional e na venda para o exterior, propondo mesmo a elaboração urgente de um "livro branco" sobre a capacidade exportadora de Portugal.

