Marques Mendes defende gestão integrada para combater "asneiras" na Costa da Caparica

20.03.2007 - 15:12 Por Lusa
O presidente do PSD defendeu hoje uma gestão integrada para o litoral, a cargo de uma agência capaz de planear e de intervir com eficácia, combatendo "as asneiras" que continuam a verificar-se na Costa da Caparica.
"Posso ter muitas dúvidas, até porque não sou técnico, mas há uma coisa em que não tenho uma dúvida: um país que tem uma costa extraordinária, que quando se trata de intervir na costa mandam vários ministérios e dezenas de entidades, seguramente dá asneira", declarou Marques Mendes durante uma visita às dunas da Costa da Caparica.
O presidente do PSD não poupou críticas, dizendo que "quando todos são responsáveis, ninguém é responsável, quando há um problema, a culpa morre sempre solteira".
O líder social-democrata defendeu "uma gestão integrada da costa marítima, uma espécie de agência para o litoral que seja capaz de planear de uma forma integrada e eficaz", que dê resposta a situações deste tipo, à semelhança do que aconteceu em Esmoriz.
"Gostaria com a minha presença, tal como fiz em Esmoriz há um mês atrás, dizer que o país, as autarquias, o Estado central, têm que acordar para a necessidade de dar ao litoral a prioridade que merece", afirmou Marques Mendes.
O responsável considerou ainda que "a Costa da Caparica tem uma importância enorme, mas o grau de prioridade a esta matéria não tem vindo a ser dado".
Referiu que o novo quadro comunitário de apoio (QREN) "é uma excelente oportunidade, porque todas estas intervenções carecem de meios financeiros".
Falando de "desleixo e negligência", Marques Mendes salientou igualmente que "o Polis desta zona é considerado dos mais atrasados no país".
"Segundo o Polis, está prevista a relocalização do parque de campismo, que deve recuar 200 ou 300 metros — obviamente que isso não dispensa as obras que a Junta de Freguesia tem feito —, mas não se percebe este desleixo, este atraso, esta negligência, que é responsabilidade de todos".
Instado a comentar se essa responsabilidade é também do Governo, Marques Mendes disse não "meter politiquices nisto".
"Não estou aqui para fazer críticas a ninguém, mas para chamar a atenção da necessidade de todos sermos mais cuidadosos com o litoral", disse.
Segundo o responsável da Protecção Civil de Almada, Henrique Carreiras, a água do mar entrou esta madrugada numa área de 30 metros do parque de campismo, "zona já interdita a pessoas há 28 dias".
"Aumentámos essa área para um perímetro de 100 metros", adiantou.
De acordo com João Costa, do Instituto da Água, a localização do parque é uma preocupação, mas a prioridade agora é "a reconstrução integral dos 400 metros do paredão e a colocação de 500 mil metros cúbicos de areia nas praias de São João da Caparica", já no próximo mês.

