Marques Mendes: críticas de cavaquistas ao Governo são “um mau serviço ao país”

30.01.2012 - 07:40 Por PÚBLICO
Luís Marques Mendes considera que as críticas que partiram de “pessoas alegadamente próximas do Presidente da República” e que foram dirigidas ao primeiro-ministro e ao ministro das Finanças são “um mau serviço ao país”. Além disso, são “injustas para o Governo” e “prejudiciais para a imagem de Cavaco Silva.
Num artigo de opinião publicado nesta segunda-feira no Correio da Manhã, o antigo presidente do PSD e actual conselheiro de Estado de Cavaco Silva, faz uma análise política da situação depois de, no fim-de-semana, o PÚBLICO e o semanário Expresso terem dado conta de discordâncias entre Belém e São Bento. No domingo, o PÚBLICO noticiou que é absoluta a discordância de algumas das mais proeminentes personalidades do cavaquismo e do próprio Presidente da República sobre a condução da política orçamental e as prioridades para a organização das finanças públicas, que têm sido adoptadas pelo Governo.
Marques Mendes invoca essas críticas para sustentar que “voltar ao tempo dos conflitos institucionais é das piores coisas que nos podem acontecer”. “A ideia de que Presidente e Governo estão em conflito agrava o clima de desconfiança, reforça o ambiente de insegurança, torna mais difícil construir uma ideia de esperança. Se os sacrifícios são duros só há uma forma de aliviar o seu peso na vida das pessoas – é criando a expectativa de que eles nos vão levar a bom porto. O que se faz com solidariedade institucional, nunca com clivagem entre órgãos de soberania. “
Também Marcelo Rebelo de Sousa, outro antigo líder do PSD e conselheiro de Estado de Cavaco Silva, se referiu no domingo aos que criticaram a actuação do Governo. "Peço a estes cavaquistas anónimos que desamparem a loja por amor de Deus. (…) Quem são estes cavaquistas e que direito têm de fazer isto ao país? Desapareçam", pediu Marcelo no comentário dominical na TVI.
Marques Mendes não vai tão longe, mas argumenta que o actual executivo de Passos Coelho “herdou uma situação excepcional” de “pré-bancarrota” e, se “seguramente tem cometido erros”, isso não belisca o Governo nem duas das suas principais figuras. “(…) não haja uma dúvida – a linha política que tem seguido está correcta, o Primeiro-Ministro tem liderado com autoridade e o Ministro das Finanças é um referencial de credibilidade. Um Governo assim merece ser ajudado e não desamparado”, defende Marques Mendes.
A terminar, o mesmo conselheiro de Estado que fez parte dos governos de Cavaco Silva, diz que aquelas críticas “prejudicam a imagem do Presidente da República”. “Sempre que o Chefe de Estado deixa de ser árbitro da vida nacional e passa a ser visto como contra-poder ou oposição aos governos, perde autoridade, diminui prestígio e reduz a sua eficácia de intervenção. Eu sei que o Presidente sabe tudo isto e não se tem deixado levar por estes cantos de sereia. Difícil é compreender os propósitos de alguns seus alegados porta-vozes. Mas ser mais papista que o papa nunca foi um acto de grande inteligência.”

