Medidas conjunturais e adiamento de medidas estruturais. Assim vai o Governo de Pedro Passos Coelho no cenário traçado esta noite por Marques Mendes, no seu comentário semanal na TVI 24. Mendes defendeu que cortar salários é uma medida “conjuntural” e que é necessário “tocar no monstro do Estado”.
O ex-presidente do PSD criticou o executivo por não tratar do que é “estruturalmente importante” e sublinhou que o adiamento dessa opção, para além de 2011, pode constituir uma “oportunidade perdida”. Mas não basta. É necessário lançar uma “agenda de crescimento económico”, sem a qual o país corre o risco de trilhar o caminho grego. “Ou seguimos o círculo vicioso da Grécia ou entramos no círculo vicioso da Irlanda”, disse. Rescindir contratos e despedir funcionários públicos, à semelhança do que fez a Irlanda, significaria um ganho “estrutural”. Que o Governo adia, mas não devia.
Mendes apontou a contradição ente os cortes dos subsídios na função pública e o facto de o Estado não cortar nas suas estruturas. É preciso reduzir o “monstro do Estado”, extinguindo empresas e institutos públicos. E deixou o veredicto: “Ainda não vi acabar com uma única empresa pública”.
Apesar de defender que as medidas do Orçamento do Estado são “inevitáveis” e que sem elas seria o “pandemónio total”, reconheceu que são “violentas” e “injustas”. E também que, nalguns casos, já ultrapassaram o limite dos sacrifícios, apontando para os pensionistas.
Mas em comentário às declarações de Cavaco, explicou que, na dependência externa que o país vive, pode não haver limites para os esforços necessários. Discorda das palavras do Presidente, já que lançam o repto a “um novo imposto sobre toda a gente”. Não é solução, frisou, pois um imposto generalizado não responderia à imposição da troika de corte na despesa, significaria novo aumento de impostos e a meia-hora de acréscimo ao horário de trabalho corresponde, na verdade, a “um corte de 7 ou 8% no salário”. Terminou com optimismo: Cavaco não vetará o Orçamento nem o enviará para o Tribunal Constitucional.


