O líder do PSD desferiu ontem violentas críticas contra o Governo socialista, acusando-o de ficar "incomodado" relativamente à investigação de "certos crimes". Num jantar com militantes sociais-democratas em Priscos, Braga, Marques Mendes aludiu à actual crise que a Polícia Judiciária (PJ) enfrenta para questionar a relação do Executivo com a justiça. Notando que depois da "instabilidade" provocada junto da magistratura, o Governo "quer criar instabilidade na PJ", o presidente do PSD afirmou: "Agora parece que quer controlar a PJ e a investigação criminal. O Governo convive mal com uma justiça independente e com uma investigação livre de tutelas políticas."
Prosseguindo o mesmo tom incisivo, Mendes acusou o Executivo liderado por José Sócrates de "ajudar a degradar a autoridade do Estado" e, sem explicitar a que é que se referia, declarou que "este Governo parece que fica incomodado com a investigação ao crime, ou a certos crimes, e não hesita mesmo em tentar enfraquecer uma das instituições em que os portugueses depositam maior confiança".
Esta matéria suscitou ainda críticas ao carácter do primeiro-ministro, com Marques Mendes a apontar que José Sócrates "é visto como uma pessoa determinada e que resolve", mas "a verdade desmente a propaganda". Isto porque, notou, Sócrates "não resolveu nem decidiu ao longo da semana". "Há uma passividade do Governo" face às ameaças de demissões na PJ, frisou, lamentando ainda o "conflito em praça pública" entre os ministros da Administração Interna e da Justiça, António Costa e Alberto Costa, respectivamente.
Marques Mendes salientou o facto de o Ministério da Justiça ter estado prestes a perder a tutela das relações da PJ com forças policiais internacionais, dizendo que António Costa teve a "intenção de retirar à PJ instrumentos essenciais para a sua acção (a relação com a Europol e a Interpol), com a gravidade acrescida de colocar esta área especialmente delicada numa dependência marcadamente política".
O discurso do líder do PSD inscreveu-se numa iniciativa de campanha para as directas, agendadas para o dia 5 de Maio. Ainda não são conhecidas candidaturas rivais, mas Mendes parece não querer perder tempo, pelo que marcou já uma série de encontros por todo o país com militantes do PSD.


