Mário Soares diz que haverá acordo e “bom senso mínimo” para evitar crise política “grave”

25.09.2010 - 20:06 Por Lusa
O antigo Presidente da República Mário Soares mostrou-se hoje convicto de que haverá acordo para aprovar o Orçamento do Estado para 2011 e “bom senso mínimo” para evitar uma crise política “grave”, decorrente da eventual demissão do Governo.
“Acho que vai haver um acordo, porque acho que vai haver o bom senso mínimo para não criar uma situação política, uma crise não financeira e económica mas política, de não haver Governo”, disse Mário Soares aos jornalistas em Beja, à margem da sua intervenção na sessão de encerramento do segundo dia do colóquio “O Alentejo e a 1.ª República”.
O antigo Chefe de Estado reagia assim à hipótese, admitida ontem pelo primeiro-ministro, José Sócrates, de o Governo PS não continuar em funções se o Orçamento do Estado para 2011 for rejeitado.
Segundo Mário Soares, a eventual demissão do Governo PS seria “grave”, já que, actualmente, “não pode haver” substituição nem demissão do Parlamento, porque o Presidente da República, Cavaco Silva, “já está impedido de o fazer” e o que vier a ser eleito “vai estar também impedido durante uns meses”.
“Ficar o país sem Governo este tempo todo é uma coisa seríssima, uma falta de senso”, alertou Mário Soares.
Na sua intervenção, Mário Soares alertou que “vai ser pior se juntarmos” uma crise política à crise económica e financeira que afecta o país e que foi “importada, veio de fora para dentro, não se criou em Portugal, nem foi culpa dos dirigentes portugueses”.
No entanto, Mário Soares defendeu que “é preciso reduzir o défice, porque senão a situação vai piorar muito, e acabar com o endividamento externo, público e privado, de Portugal”.
“Mas não podemos fazer só isso”, porque também “é preciso mantermos o crescimento económico e o Estado Social como ele está” e “fazer as economias possíveis” em áreas como a Segurança Social e o Serviço Nacional de Saúde, mas “mantê-las”, “porque se perdêssemos isso perdíamos as grandes conquistas da Revolução de Abril”, disse.
Mário Soares criticou também “aqueles que querem branquear o Estado Novo” ao defenderem que em Portugal está implementada não a 2.ª mas a 3.ª República.
“Aqueles que sofreram na pele a ditadura não podem aceitar esta situação”, disse, defendendo que em Portugal foram implementadas a 1.ª República, da qual é “fã”, e a 2.ª República, a que vivemos actualmente.
“Tudo o resto foi um interregno ditatorial e um lapso de 48 longos anos”, disse.

