O ex-presidente e fundador do Partido Socialista Mário Soares vai anunciar hoje a sua candidatura à Presidência da República, regressando à vida política activa aos 80 anos de idade para tentar reconquistar um cargo que já ocupou entre 1986 e 1996.
O anúncio do líder histórico do PS vai ter lugar apenas algumas horas depois de o deputado socialista e vice-presidente da Assembleia da República Manuel Alegre ter deixado implícito, em Viseu, que não avançará para Belém para evitar a divisão do partido e da esquerda.
Alegre sublinhou que foi a direcção do PS que dividiu a esquerda ao escolher Mário Soares para candidato às presidenciais, depois de ele próprio ter anunciado, em Julho, estar disposto a candidatar-se para enfrentar Cavaco Silva, ex- líder do PSD e potencial adversário à direita.
Mário Soares subirá hoje à tribuna, pelas 18h00, num hotel de Lisboa, para fazer a única intervenção prevista. A assistência será maioritariamente composta por "figuras públicas dos espectáculos, cultura, desporto e televisão", segundo disse à Lusa uma fonte da candidatura.
O líder do PS e primeiro-ministro, José Sócrates, ministros e dirigentes nacionais do partido estarão presentes na apresentação da candidatura de Soares, a terceira da sua já longa vida política.
As palavras do antigo chefe de Estado serão "num tom muito pessoal" e destinadas a explicar ao país as razões da sua recandidatura, dez anos depois de ter deixado o Palácio de Belém.
Vasco Vieira de Almeida será o mandatário nacional de Mário Soares e Alfredo Barroso, ex-chefe da Casa Civil de Mário Soares em Belém, será o director de campanha.
O PS agendou para domingo, em Lisboa, uma reunião da Comissão Nacional para aprovar a candidatura do seu ex-secretário-geral.
No dia 23 de Julho, o deputado Manuel Alegre afirmou, em declarações ao PÚBLICO, que estava disposto a candidatar-se às eleições de 2006. No dia seguinte, 24 de Julho, Mário Soares anunciou que estava "em reflexão" sobre uma recandidatura, iniciando uma ronda de contactos com personalidades, de esquerda e de direita. Numa declaração ao "Jornal de Notícias", José Sócrates afirmou então que o partido estaria ao lado do fundador do PS se este quisesse apresentar-se de novo às presidenciais. Mário Soares reconhecia que o apoio de José Sócrates a uma candidatura sua mudava "as circunstâncias" e tinha "um peso inegável" na reflexão que estava a fazer, "por vir de quem vem e pelo que representa em si mesma".


