Pré-campanha para as presidenciais

Mário Soares aposta numa "campanha afectiva"

07.11.2005 - 17:50 Por Lusa

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Mário Soares considera-se “o anti-Salazar” Mário Soares considera-se “o anti-Salazar” (André Kosters/Lusa)
O candidato a Presidente da República Mário Soares definiu-se hoje, em Coimbra, como "o anti-Salazar" que aposta numa "campanha afectiva" para regressar ao Palácio de Belém nas eleições de Janeiro do próximo ano.

"Não vou fazer discursos com grande 'marketing' para ter cinco minutos nos telejornais", afirmou o candidato à Presidência da República, que escolheu simbolicamente Coimbra para iniciar a pré-campanha eleitoral.

Mário Soares falava no final de um almoço com dirigentes e apoiantes da sua candidatura, na baixa da cidade.

"Farei uma campanha de proximidade. Interessa-me tocar as pessoas pela afectividade, por ser capaz de as unir e por acreditar em Portugal", disse.

Mário Soares foi bem recebido pelas pessoas com quem se cruzou à entrada para o restaurante, a escassa dezena de metros da Rua da Sofia, onde foi insultado por populares nos anos 80, quando desempenhava funções de primeiro-ministro no Governo do Bloco Central (PS-PSD).

O candidato explicou o arranque simbólico da sua campanha em Coimbra - a cidade "adoptiva" do adversário Manuel Alegre, e onde este tem agora uma estátua em sua honra, desde o último Verão - com o facto de Coimbra ser "a cidade do conhecimento".

"'Coimbra, cidade do conhecimento' não é apenas um 'slogan' que está na auto-estrada", frisou, perante uma centena e meia de apoiantes, depois de ter visitado a Critical Software.

Considerada "um êxito" na área das novas tecnologias e inovação, a Critical Software, que colabora com a NASA e emprega 150 pessoas, maioritariamente licenciados e alguns doutorados, foi também visitada pelo primeiro-ministro, José Sócrates, há um mês.

Tendo em conta que a empresa foi fundada nos anos 90, por investigadores da Universidade de Coimbra (UC), Mário Soares disse que esta é uma instituição de ensino superior "moderna e voltada para o futuro".

Acompanhado pelo antigo reitor da UC e presidente da Comissão de Honra Distrital da sua candidatura, Rui Alarcão, aproveitou para recordar a cerimónia em que a Universidade de Coimbra lhe concedeu o grau de doutor "honoris causa", no final do seu segundo mandato de Presidente da República.

Ao explicar por que aceitou a distinção académica, disse que a Universidade de Coimbra "simbolizou o espírito do dr. Salazar" até ao 25 de Abril, assumindo-se, no entanto, nas últimas três décadas como "a cidade do conhecimento" em Portugal.

"E eu considero-me o anti-Salazar", acrescentou Mário Soares.

No início do encontro, o presidente da Câmara de Coimbra, Carlos Encarnação, do PSD, que almoçava numa outra sala do restaurante, foi cumprimentar o candidato presidencial apoiado pelo PS, a quem ofereceu um livro, editado pela autarquia, intitulado "Coimbra - A Invenção do Tempo".

Usaram também da palavra Joaquim Gomes Canotilho, professor universitário e mandatário distrital da candidatura, e Fausto Correia, deputado do PS no Parlamento Europeu e director da campanha em Coimbra.

Fausto Correia anunciou que o advogado António Arnaut (fundador do PS e ex-grão mestre da Maçonaria Portuguesa) é mandatário de Mário Soares no concelho de Coimbra.

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Comentário + votado

A afectividade de Mário Soares

É agora que ele vai explicar-nos porque é que após o 25 de Abril/74 o dinheiro que os Portugueses ...

Anónimo

07.11.2005 20:12

X

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