O candidato presidencial Mário Soares disse hoje que a sua campanha está num ponto de viragem, sendo agora marcada pelo total empenhamento do PS e pelo fim das críticas a Cavaco Silva.
"Com a participação ao mais alto nível dos dirigentes do PS na campanha ninguém tem dúvidas de que todo o PS está com a minha candidatura", afirmou Mário Soares, garantindo que se inicia hoje um "novo ciclo" no esclarecimento dos portugueses.
O candidato às eleições presidenciais de 22 de Janeiro disse também que vai deixar de falar do candidato Cavaco Silva, sublinhando que só o fez, até agora, para "o obrigar a fazer debates" e porque a comunicação social apenas lhe fazia perguntas sobre ele.
O candidato falava em Amares durante um almoço que juntou 420 pessoas e que contou com a presença dos dirigentes socialistas Jorge Coelho e Joaquim Barreto, do deputado Manuel Braga da Cruz e do autarca local José Barbosa.
O acto ficou igualmente marcado pelas acusações de Jorge Coelho a Cavaco Silva, dizendo que, se ele for eleito, "criará uma crise política" por divergências com o Governo.
Na sua intervenção, Mário Soares salientou que "não é a comunicação social que elege o Presidente da República" e manifestou-se convicto de que, na segunda volta, vencerá as eleições presidenciais.
Mário Soares recordou aos presentes a sua acção passada contra o Estado Novo e em defesa da liberdade, contra as tentações totalitárias, depois do 25 de Abril de 1974, para reafirmar que será um chefe de Estado de diálogo com os sindicatos e os patrões, mas tendo sempre em mente os trabalhadores e os mais desfavorecidos.
O candidato presidencial apoiado pelo PS falou ainda sobre a crise da União Europeia para lembrar que Portugal se desenvolveu muito com a adesão.
No final do almoço, Mário Soares seguiu para Barcelos, onde realiza acções de pré-campanha, mas, de acordo com o programa, não irá proferir quaisquer declarações.


