Mário Lino diz a ambientalistas que Ota é a "solução" para o esgotamento da Portela

24.04.2007 - 18:51 Por Lusa
O ministro das Obras Públicas disse hoje que face ao "problema" do esgotamento do aeroporto da Portela, a construção da Ota é a "solução", ainda que "não existam localizações perfeitas". Mário Lino almoçou hoje com representantes de associações ambientalistas.
"Temos um problema: o aeroporto da Portela está a esgotar; e temos uma solução: a Ota", disse esta tarde Mário Lino, depois de um almoço com representantes de associações ambientalistas, que decorreu no ministério das Obras Públicas, em Lisboa, a pedido destas organizações.
Sublinhando o facto de "não existirem localizações perfeitas", o ministro disse que "é preciso ter consciência de que todas as obras têm impactos importantes no ambiente e temos de saber se são brutais ou minimizáveis", justificando deste modo a opção pela Ota.
O almoço de hoje foi solicitado pelas associações ambientalistas, na sequência das novas localizações propostas para a construção do novo aeroporto internacional de Lisboa na margem Sul do Tejo, nomeadamente Faias e Poceirão.
Para Mário Lino, "a localização do aeroporto na margem Sul do Tejo implica construir, de raiz, uma nova centralidade do país numa zona altamente vulnerável do ponto de vista ambiental e da segurança aeronáutica, pelo que é uma solução inviável".
Esta manhã, Mário Lino tinha afirmado que não ter "nenhuma razão para alterar a localização do novo aeroporto". "O nosso calendário está em curso e neste momento não tenho nenhuma razão para alterar o que quer que seja".
Quercus diz que Rio Frio é uma "opção inviável"
Em declarações no final do almoço, o vice-presidente da Quercus, Francisco Ferreira, afirmou que "Rio Frio é uma opção inviável do ponto de vista do ordenamento do território, da protecção dos passageiros que circulam nas aeronaves e da importância do maior aquífero da Península Ibérica, representando a degradação de uma reserva de água fundamental para a próxima década".
"A localização nas proximidades de Rio Frio é extremamente problemática, para não dizer inviável", reforçou.
Francisco Ferreira disse que transmitiu ao ministro "a necessidade de esclarecimento em relação às localizações Faias e Poceirão, na margem Sul do Tejo", considerando que "há um conjunto de dados que devem estar transparentes e ser disponibilizados, nomeadamente no que respeita ao volume de tráfego da Portela nas próximas décadas".
"Reafirmo que a Ota não é uma opção que satisfaça do ponto de vista ambiental. A Ota tem vários problemas ambientais e é necessária uma avaliação, mas a localização do novo aeroporto na margem Sul é inviável", declarou Francisco Ferreira.
"A Ota tem impactos ambientais muito grandes, mas não são tão dramáticos e irreversíveis como a opção pela margem Sul", concluiu o ambientalista.
Geota e LPN consideram a Ota uma solução "menos má" do que Rio Frio
Joanaz de Melo, do Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (Geota), afirmou que "das opções já estudadas [Ota e Rio Frio], a Ota é a solução menos má."
"Há coisas para esclarecer. Há muitos aspectos em que nós temos grandes dúvidas e há o compromisso [do Governo] de que essas dúvidas serão esclarecidas", disse Joanaz de Melo.
Eugénio Sequeira, da Liga para a Protecção da Natureza (LPN), apesar de considerar que "qualquer localização a Sul causa danos irreversíveis", sublinhou o facto da localização do aeroporto na Ota "levantar problemas", o que exige um estudo de impacto ambiental "mais pormenorizado" sobre a Ota.
Para o ambientalista, o Sul é "inaceitável", sustentando que "entre o Sul e o Norte, a Ota é a melhor opção".

