A ex-conselheira da União Europeia Maria João Rodrigues alertou que os limites da democracia estão a ser postos à prova em alguns países ameaçados pela crise das dívidas soberanas, como é o caso da Grécia. E teme que a situação se alastre a países como Portugal, o que pode colocar em causa o projecto europeu.
Para Maria João Rodrigues, a crise nas dívidas soberanas na zona euro pode funcionar como um rastilho para outra crise de contornos diferentes relacionada com a legitimidade democrática de quem na prática impõe aos países medidas de austeridade. A até recentemente conselheira, que falava numa entrevista à TSF, afirmou que o problema já é visível na Grécia, defendendo que Portugal não é imune.
A antiga ministra do Trabalho (do primeiro-ministro socalista António Guterres) disse, contudo, que os protestos que se vivem na Grécia estão a ser direccionados para o alvo errado – o Governo –, uma vez que este nada mais pode fazer que aplicar os planos de austeridade impostos por uma Europa que não tem legitimidade directa no país.
“Se a Europa começa a ser visualizada pelos cidadãos de um determinado país não como uma alavanca para promover a prosperidade desses cidadãos, mas como um colete de forças que limita a possibilidade de escolha”, mais cedo ou mais tarde “vai minar o processo de construção europeia”, advertiu à mesma rádio.
“Mesmo que façam tremendos esforços – e têm feito –, eles continuam a não ver a luz ao fundo do túnel, porque parte dessa luz depende de facto que medidas que a Europa ainda não tomou”, acrescentou, alertando que Portugal não está completamente protegido disto poder vir a acontecer.


