Marcelo exclui-se da candidatura e lança Ferreira Leite como melhor hipótese

21.04.2008 - 08:22 Por Filomena Fontes
Se dúvidas houvesse ainda quanto à possibilidade de Marcelo Rebelo de Sousa protagonizar uma candidatura à liderança do PSD, o professor eliminou-as, ontem, em definitivo, "mesmo que fosse para ser imolado outra vez". E, na bolsa de apostas da facção barrosista, colocou o nome de Ferreira Leite à frente de Rui Rio - "está na posição única em termos de oportunidade para avançar" -, depois de evidenciar as dificuldades que o futuro líder do partido teria para encontrar um sucessor à altura do presidente da Câmara do Porto para reeditar uma vitória nas próximas autárquicas.
"Se Rui Rio vai para líder, o partido perde um óptimo candidato. Tendo já o berbicacho de Lisboa, seria somar por sua própria decisão o berbicacho do Porto", anteviu Marcelo.
No programa As Escolhas de Marcelo da RTP1, o professor quis mesmo despir o papel de comentador quando foi confrontado com a decisão de se apresentar a votos nas "directas" para sustentar a sua recusa a entrar na corrida. "Um caso em que tinha obrigação de ser - mesmo que fosse para ser imolado como da última vez - era não haver ninguém (...) e o outro era olhar para os candidatos todos e dizer que não há nenhum que preencha os mínimos para eu escolher."
Sem optar por qualquer nome, Marcelo entende que estas duas condições estão preenchidas e retira-se do palco dos putativos candidatos. "Não havendo razão para ser imolado, prefiro continuar a fazer aquilo que gosto, que é ser professor", concluiu.
Certo é que havia quem visse em Marcelo a solução mais consensual numa altura em que se pulverizam as candidaturas à liderança, estando ainda longe de ser nítida para onde vão pender as escolhas. E ainda que no campo barrosista a escolha esteja aparentemente já balizada entre Rio e Ferreira Leite (o que implicaria o recuo de José Pedro Aguiar-Branco), ontem os intensos contactos que envolveram várias figuras conotadas com esta sensibilidade não tinham sido conclusivos até à hora do fecho desta edição.
Tudo indica, porém, que o anúncio da candidatura será feito só após a reunião do Conselho Nacional da próxima quarta-feira. Por um lado, porque há ainda dúvidas quanto às regras que vão presidir ao processo das directas (está por esclarecer se os novos regulamentos aprovados estarão em vigor) e, por outro, porque há quem entenda que o anúncio colocaria o candidato à mercê das críticas dos conselheiros nacionais afectos à facção menezista.
Com Menezes fora dos holofotes e Santana Lopes remetido ao silêncio, as dúvidas sobre a estratégia destes dois protagonistas - e das suas tropas - são imensas. Avivadas, pelo lado do ainda líder do PSD, pelo facto de o secretário-geral, Ribau Esteves, ter voltado a apelar à recandidatura de Menezes, dizendo mesmo que os militantes deveriam esperar até ao último dia de apresentação das candidaturas.
Mas Ângelo Correia, ex-mandatário nacional de Menezes nas últimas directas, pôs um epílogo ao folhetim. "Luís Filipe Menezes disse que não, é não, ponto final", declarou o ainda presidente da Mesa do Congresso, citado pela Lusa.
Sem abrir o jogo quanto ao seu posicionamento sobre os candidatos que já avançaram, Ângelo Correia limitou-se a declarar: "Até quarta-feira direi."
No meio da indefinição dos outros campos, Pedro Passos Coelho está já a trabalhar na sua campanha interna, mantendo contactos com apoiantes de todo o país, prevendo-se que vá para o terreno logo após o Conselho Nacional de quarta-feira, ao encontro dos militantes. Aos quais, pelo menos desta vez, não faltarão escolhas.

