O ex-presidente do PSD Marcelo Rebelo de Sousa considerou nesta quinta-feira que a chanceler alemã tem “muitas vezes” uma postura de arrogância e achou uma “grande injustiça” as críticas que Angela Merkel fez à governação da Madeira.
Merkel apontou na terça-feira o arquipélago português como um mau exemplo da aplicação dos fundos estruturais europeus, sublinhando que, naquela região autónoma, as verbas “serviram para construir túneis e auto-estradas muito bonitos, mas não para aumentar a competitividade”.
Ao falar em Lisboa aos jornalistas depois de ter apresentado a revista “Terra de Lei”, da Associação de Juristas da Pampilhosa da Serra, Marcelo Rebelo de Sousa disse que a líder do governo alemão desconhece a realidade da Madeira e não sabe que a principal actividade na ilha é o turismo, pelo que as vias de comunicação “contribuem para a competitividade da Madeira”.
Já sobre as críticas do presidente do Parlamento Europeu, acerca da visita do primeiro-ministro português a Angola em Novembro, o comentador e professor catedrático de Direito disse que Martin Schulz, também alemão, se “esqueceu das ligações de Portugal aos restantes países de língua portuguesa”, situação de que a Alemanha não beneficia.
Schulz criticou, num debate gravado em vídeo e na quarta-feira noticiado pelo PÚBLICO, a visita relâmpago que o primeiro-ministro português fez em Novembro a Angola, na qual admitiu ir à procura de capital angolano para as privatizações em curso.
“Não é feliz querer dizer aos portugueses que só podem ter relações com a Europa e não com países que falem a mesma língua”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, considerando que a Alemanha política ainda não descobriu uma maneira de lidar com os outros países da Europa”.
“Sabemos que ela é muito poderosa, que é economicamente liderante”, mas, como disse o ex-chanceler alemão Helmut Schmidt, “tem que ter a humildade dos grandes”, salientou o comentador.
Ainda sobre Merkel, disse que a líder do governo alemão “aparece muitas vezes com uma arrogância que afasta os outros, não aproxima”.
“É muito arrogante”, acusou, estendendo a crítica a Schulz e afirmando que “isso não é bom para os europeus”.


