Marcelo defende que pacificação do PSD exige “solução madura” 
12.10.2009 - 17:51 Por Maria José Oliveira
Marcelo Rebelo de Sousa continua a ponderar sobre a possibilidade de disputar a liderança do PSD. Contudo, por ora, defende que a grande prioridade dos sociais-democratas é arrumar a casa, sarar feridas e resolver querelas.
Sarar feridas há muito abertas, apaziguar as diferentes sensibilidades que existem no interior do PSD, traçar planos para o desafio autárquico quer irromperá daqui a quatro anos (quando a geração lançada no cavaquismo terminar definitivamente os seus mandatos), estancar a tendência de balcanização do partido, preparar o terreno para a eventual recandidatura de Cavaco Silva à Presidência da República e, finalmente, gerir consensos com o Governo socialista, nomeadamente a viabilização do Orçamento do Estado.
Eis algumas das hercúleas tarefas que Marcelo Rebelo de Sousa considera imprescindíveis para que o PSD alcance a unidade desejada e, consequentemente, esteja habilitado para derrotar José Sócrates nas próximas eleições legislativas.
Numa conferência subordinada ao tema “Portugal à saída das eleições”, realizada hoje na Universidade Católica, em Lisboa, o futuro do PSD dominou uma parte da palestra do comentador político. Que, apontando caminhos para a “reflexão” profunda que deve ser uma das prioridades do partido, não se auto-excluiu da corrida à liderança dos sociais-democratas.
Porém, Rebelo de Sousa entende que Manuela Ferreira Leite deve terminar o seu mandato e que o partido precisa de “mais meses” e “espaço de manobra” para essa reflexão interna que pode ditar o futuro social-democrata.
A “sucessão delirante de líderes” e as tentativas de disputar a liderança (Passos Coelho não foi nomeado por Marcelo, mas o recado era-lhe dirigido) afiguram-se, por isso, muito pouco benéficas para o PSD. “É um ‘wishful thinking’ pensar que a mudança de liderança reanimará o partido” e terá como consequência a queda de Sócrates, em futuras eleições.
Sublinhando que o partido não pode menosprezar as aptidões do primeiro-ministro, Rebelo de Sousa alertou para a indispensabilidade de procurar uma “solução madura” para o seu partido: “Ou o PSD consegue meditar ao longo destes primeiros meses e encontra uma solução madura. Ou não tem uma solução madura e daqui por dois anos terá novas directas para a liderança.” E prosseguiu: “O PSD não pode ter uma visão simplista sobre o que está a viver. Se continua balcanizado ou se se balcaniza ainda mais continuará enfraquecido.”
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