Marcelo aconselha jovens a seguirem caminho político apenas depois de exercerem outra profissão 
11.05.2009 - 22:12 Por Lusa
O antigo líder do PSD Marcelo Rebelo de Sousa aconselhou hoje os jovens a optarem pela política profissional apenas após exercerem outra actividade profissional que lhes dê independência, para que não tenham de engolir "sapos vivos ou elefantes".
Ao intervir hoje numa conferência sobre "Os jovens e a política: razões para a exercer", promovida pela Escola Profissional de Tondela, Marcelo Rebelo de Sousa aconselhou os jovens a que primeiro "finquem os pés na actividade profissional", para depois, na política, "poderem dizer que não".
E afirmou que, "se uma pessoa está na política sem ter um lugar de retaguarda, vem um chefe qualquer que lhe diz 'você agora faz aquilo'" e ela, mesmo discordando, tem de o fazer". "Se tiver independência, a pessoa responde 'até à próxima, vou à minha vida'. Se não tiver, tem de engolir sapos vivos ou elefantes. Não tem outro remédio se não ir fazendo coisas que lhe vão impingindo ao longo do tempo", alertou.
O professor especificou que, em Portugal, "quando veio a democracia, houve muita gente que se meteu na política muito nova e sacrificou as profissões e está na política há 30 anos". Ora, essa gente, "se sair da política, vai fazer o quê? Nada, porque anda há 30 anos a fazer política", frisou.
Sem apontar nomes, contou o caso de um "grande amigo" seu, que "começou a fazer política aos 20 e tal anos" e "fez de tudo: foi chefe de gabinete de governador civil, dirigente local partidário, deputado, dirigente nacional, secretário de Estado, ministro de muitos Governos e líder de um partido", tendo apenas exercido outra actividade "três ou quatro anos". "Passados 30 e tal anos é que ele vai voltar a exercer aquela actividade, quando tudo mudou? Era um perigo para as pessoas que tivessem de lidar com ele. Por acaso não era médico mas e se fosse médico?", questionou, acrescentando que a pessoa em causa "lá teve de encontrar uma actividade, que está a exercer", o que "lhe custou, porque tem o bichinho da política".
"Mas isso teve de ser, porque ele era novo e naquela altura as pessoas arrancaram assim. Vocês não façam esse erro. Tenham actividades profissionais, ganhem o vosso dinheiro, a vossa independência e depois façam política", pediu. Isto porque "na política, se se é honesto perde-se dinheiro, só se ganha dinheiro se se for desonesto".
É por isso que, disse Marcelo, quando vê "alguém aparecer com uma vida que é cem vezes melhor do que tinha antes de ir para a política", fica "com as maiores dúvidas no espírito". "Quem vai para a política, se tem uma actividade profissional, com raras e honrosas excepções, no mínimo fica assim-assim ou ganha pouco, no máximo perde dinheiro", concretizou.
Marcelo Rebelo de Sousa criticou ainda a abstenção nos actos eleitorais, defendendo que se o candidato não cumpriu o que prometeu há que "votar para correr com ele". E os problemas económicos e sociais não podem ser uma justificação para a abstenção. "Então numa sociedade em que há problemas a melhor maneira de os resolver é borrifarmo-nos?", questionou.

