Manuela Ferreira Leite defende que primeiro-ministro não tirou lições do caso Freeport

27.04.2009 - 20:22 Por Lusa
A presidente do PSD considerou hoje que o primeiro-ministro não tirou "a lição do Freeport" porque volta a tomar "decisões polémicas" em véspera de eleições, "nomeadamente o TGV e o aeroporto".
Numa entrevista à SIC que será transmitida esta noite, Manuela Ferreira Leite acusou o Governo de optar por grandes investimentos "a pensar em questões eleitorais e em questões de interesses de grupos fortes que dominam, por exemplo, a questão das obras públicas" e não "no interesse do país".
Questionada sobre o caso Freeport, a presidente do PSD começou por dizer que "é algo que não pode deixar de ser investigado e esclarecido até ao fim", acrescentando que na sua opinião "em relação a esta situação há uma lição que o primeiro-ministro ainda não tirou e é pena que não a tire".
Segundo Manuela Ferreira Leite, trata-se de "um caso que decorre fundamentalmente do facto de se ter percebido que havia uma aprovação em vésperas de eleições".
"Em vésperas de eleições tomam-se decisões rápidas, sem grandes estudos, sem grandes fundamentos e daí nascem suspeitas. E o primeiro-ministro, que se sente vítima dessa acusação, está a querer cair rigorosamente no mesmo erro quando, a meia dúzia de meses das eleições, quer tomar decisões poderosíssimas em relação ao país, nomeadamente o TGV e o aeroporto", considerou.
"Isso, efectivamente, é uma lição que ele ainda não tirou. Ele devia tirar a lição de que nas vésperas de eleições não se tomam decisões polémicas. Seria a lição do Freeport, era a lição que ele devia tirar e que, pelos vistos, não está a querer tirar", concluiu.
Interrogada sobre a terceira ponte sobre o Tejo, o novo aeroporto e a rede ferroviária de alta-velocidade (TGV), a presidente do PSD defendeu que Portugal não tem "condições financeiras para nenhum" daqueles projectos.
"Punha uma moratória neles. Não tenho dúvida nenhuma de que punha uma moratória. Podem comprometer o futuro muito definitivamente", declarou.
Preocupação com origem do dinheiro para combate à crise
De acordo com a ex-ministra das Finanças, Portugal está neste momento "a decidir o futuro", numa "fase estrutural" e corre o risco de ficar "irremediavelmente pobre" se não conseguir entrar "numa situação de crescimento nos próximos cinco ou seis anos".
Em relação aos apoios anunciados para combater a crise, Manuela Ferreira Leite insistiu em que o Governo diga "onde foi buscar o dinheiro", manifestando "receio" de que este provenha da Segurança Social.
"A ausência de informação, o facto de não haver um orçamento rectificativo e o facto de ver o ministro do Trabalho em silêncio pode significar que isto está a ser feito pela Segurança Social", sustentou, referindo como "bastante estranho" que o ministro do Trabalho "não queira comentar" o alargamento do subsídio social de desemprego.

