Manuela Ferreira Leite apelou a uma mudança no PSD, considerando que as pessoas perderam o respeito pelo partido e já não lhe dão ouvidos. A candidata à liderança social-democrata falava durante uma acção de campanha que decorreu na noite passada em Castelo Branco, a primeira que contou com a presença do ex-ministro Morais Sarmento.
“Atingimos à fase de já não sermos ouvidos. Significa que as pessoas nos perderam o respeito”, afirmou Ferreira Leite, explicando que se candidatou por considerar que o partido está “em situação de emergência”. A candidata realçou que as eleições no PSD "não são para escolher mais um líder, mas sim quem possa disputar as próximas eleições com José Sócrates".
Preferindo "não escalpelizar" as razões que levaram o partido à actual situação, Ferreira Leite reafirmou a ideia de que, enquanto o PSD não for uma alternativa credível ao PS, os partidos à esquerda serão reforçados. "Estamos a empurrar o país para a esquerda com a nossa inoperância. O Bloco de Esquerda e o PCP, daqui a nada, são 20 por cento e isto não se passa em nenhum outro país da Europa", sublinhou.
Ao intervir numa cidade do interior e confrontada com as questões do público, a candidata classificou a interioridade como "um problema grave" e "uma das origens da pobreza" que existe no país. "A interioridade nunca esteve fora da agenda dos governos, mas as políticas seguidas não deram resultados e vemos o país quase a cair para o Atlântico", referiu.
Ferreira Leite confessou não ter soluções na manga e considerou serem necessárias respostas "imaginativas", sublinhando que "é um tema que não pode deixar de estar em consideração".
Carlos Pinto, mandatário distrital de Manuel Ferreira Leite, foi especialmente crítico relativamente à política governamental. "Por menos do que isto, o governo de Guterres foi-se embora", referiu aquele responsável, que preside à Câmara da Covilhã.
Para o autarca, "só a conjuntura" não chega para explicar "a situação de crise" e "Manuela Ferreira Leite é a líder à altura de acabar com as brincadeiras que temos vivido no partido e a nível nacional".
Uma ideia sublinhada pelo ex-ministro Morais Sarmento, que pela primeira vez compareceu numa actividade de campanha para eleições de 31 de Maio do PSD. "Estou aqui, porque Manuela Ferreira Leite tem as condições para voltar a unir o partido e ser candidata a primeira-ministra", sublinhou aos jornalistas.


