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Diversos círculos socialistas manifestam apoio

Manuel Alegre poderá ser candidato a Belém

30.03.2005 - 07:55

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Manuel Alegre poderá vir a ser o candidato apoiado pelo PS à Presidência da República, nas eleições agendadas para Janeiro de 2006. Na dança socialista dos nomes "presidenciáveis" - António Vitorino, Jaime Gama, Ferro Rodrigues ou Maria de Belém Roseira -, Alegre é, neste momento, o candidato que reúne o consenso de diversos sectores do partido para travar o combate contra a eventual candidatura de Cavaco Silva.
Manuel Alegre Manuel Alegre (Estela Silva/Lusa)

O histórico militante do PS nunca manifestou publicamente a intenção de concorrer a Belém, mas alguns dirigentes ouvidos pelo PÚBLICO equacionam esta hipótese como a mais favorável para o PS, argumentando que Alegre é quem pode vir a apresentar a mais produtiva capacidade de polarizar o eleitorado de esquerda e de centro-esquerda. Contactado pelo PÚBLICO, Manuel Alegre afirmou não querer pronunciar-se sobre este assunto.

Aparentemente Cavaco Silva assusta os socialistas, mas há quem recorde as eleições presidenciais de Janeiro de 1996, quando Jorge Sampaio derrotou o ex-primeiro-ministro do PSD cerca de três meses depois de António Guterres ter ganho as legislativas, em Outubro de 95.

A provável candidatura de Alegre é tanto mais ponderada pela direcção socialista quanto as divergências entre ele e Sócrates, agudizadas no ano passado durante a corrida à liderança socialista, foram ultrapassadas. O secretário-geral não quer, segundo alguns dirigentes, reabrir trincheiras internas e deu provas dessa tomada de posição ao escolher Alberto Martins para líder da bancada parlamentar socialista e Manuel Maria Carrilho para candidato à Câmara de Lisboa. Ambos foram, recorde-se, acérrimos apoiantes da candidatura de Manuel Alegre a líder do PS.

Fazendo jus ao provérbio que lhe é constantemente associado - "Não há festa nem festança..." -, António Vitorino é também apontado por alguns sectores do PS como o candidato que poderá derrotar Cavaco Silva nas urnas. Vitorino insiste que não aprecia o sebastianismo, mas ainda ninguém lhe ouviu uma palavra de recusa em relação à possibilidade de concorrer a Belém. O PÚBLICO tentou contactar o deputado socialista, mas até à hora de fecho desta edição não obteve resposta.

Se alguns dirigentes do PS sublinham que a porta da candidatura presidencial está aberta para Vitorino - o que, porventura, poderá originar um novo tabu -, outros recusam esta possibilidade, relembrando que o ex-comissário europeu não se mostrou disponível quando o partido precisou dele (leia-se quando Ferro Rodrigues se demitiu da liderança do PS e ele era o sucessor desejado pela maior parte dos socialistas). Na altura, explicou que não se candidatava a secretário-geral do PS porque não se sentia "motivado" para tais funções.

No processo de formação do Governo, houve quem entendesse que Vitorino estava a fomentar uma nova incógnita. Nomeadamente sobre a hipótese de vir ou não a integrar o elenco governamental. A verdade é que a incógnita alastrou a todo o Executivo, já que Sócrates conseguiu manter sob um manto de confidencialidade os nomes escolhidos para o Governo socialista.

Vitorino decidiu não exercer qualquer cargo governamental, remetendo-se à sua condição de deputado eleito por Setúbal e retornando à advocacia, mas esta opção acabou por causar alguma irritação entre os socialistas. Mário Soares foi um deles. Há cerca de três semanas, quando questionado sobre uma hipotética candidatura presidencial de Vitorino, o ex-Presidente da República respondeu: "Vitorino? Não! Depois disto?!" E prosseguiu: "Isso é um fait-divers. Insisti muito com ele [para integrar o Governo], como se sabe. Não quer, não quer. Preferiu a sua vida profissional. Se quisesse fazer política esta era a altura."

Alguns círculos socialistas avaliam, contudo, a possibilidade de Cavaco Silva não se candidatar a Belém. E neste contexto consideram que António Vitorino pode vir a ganhar um súbito interesse pelas eleições presidenciais, avançando com a sua candidatura.

Apesar de os seus nomes já terem surgido em algumas sondagens (com a excepção de Maria de Belém Roseira), as putativas candidaturas de Ferro Rodrigues e Jaime Gama não passam disso mesmo: meras suposições que dificilmente irão romper a barreira do imaginário. Gama é presidente da Assembleia da República e não teria aceitado o cargo se quisesse chegar a uma candidatura presidencial; Ferro "carrega" ainda o estigma do processo Casa Pia e não possui a indispensável aprovação da direcção do PS; e Maria de Belém Roseira, apesar do apoio que já lhe foi transmitido por algumas militantes socialistas, não pondera essa hipótese. Até porque estará ao lado de Manuel Alegre na eventualidade de ele sentir que tem todas as condições reunidas para anunciar a sua candidatura à Presidência da República.

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Comentário + votado

Será o meu candidato!

Eis um bom rosto (de política séria, coerente e intelectualmente válida). Será um orgulho para ...

Anónimo

30.03.2005 12:41

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