Manuel Alegre não será candidato às presidenciais 
30.08.2005 - 20:37 Por Ana Fonseca Pereira, PUBLICO.PT
Manuel Alegre deixou hoje implícito que não será candidato às presidenciais para não dividir a esquerda nas eleições de Janeiro, apesar de considerar que a recandidatura de Mário Soares “não é saudável para a República”.
“Discordo da candidatura que vai ser apoiada pelo Partido Socialista, pelo processo e pela solução. O processo não foi claro, a solução, em meu entender, não está conforme aos critérios republicanos de renovação política”, declarou o deputado socialista, que falava num jantar de apoiantes em Viseu.
Manuel Alegre recordou que em Julho se disponibilizou para “enfrentar Cavaco Silva e evitar o vazio”, liderando uma candidatura de esquerda que acredita teria “condições políticas para obter um resultado surpreendente”. “A direcção do PS fez outra escolha, não fui eu que dividi”, sublinhou.
Apesar de em nenhum ponto do discurso afirmar taxativamente a renúncia à corrida eleitoral, Manuel Alegre lembra que, enquanto socialista, não pode ignorar o apoio dado pelo partido à candidatura de Mário Soares. “Não sou responsável pela decisão pré-anunciada pela direcção do PS. Não serei responsável pelos seus resultados, mas também não quero ser responsável pela divisão da esquerda”, declarou, admitindo que a sua candidatura poderia causar a “eventual fractura do Partido Socialista e a divisão do seu eleitorado”.
Num discurso muito crítico em relação à actual situação política nacional, Alegre afirmou que as próximas presidenciais deveriam “ser uma oportunidade para a renovação e revitalização da vida política” e não se limitarem a um “afrontamento de personalidades”.
“Temo que as candidaturas anunciadas dêem aos eleitores a sensação do já visto e a impressão de que tudo vai ficar na mesma”, lamentou Alegre, sustentando que “a vocação de Cavaco Silva será sempre a de governar” e Mário Soares representa “uma solução de tipo patriarcal”.
“Travei ao lado de Mário Soares batalhas que fazem parte da história da minha vida e da história da democracia. Não o esqueço, mas entendo que uma sua terceira candidatura não é saudável para a República”, declarou Alegre, amigo pessoal do antigo Presidente da República.
Apesar de fechar a porta a Belém, Manuel Alegre admite usar a base de apoio reunida nas últimas semanas para outros embates políticos. “Com a minha disponibilidade criou-se uma expectativa de alternativa e de esperança. É preciso projectá-la para outros combates. A vida não pára aqui, às vezes pode acontecer o inesperado”, declarou, já depois de afirmar que “os partidos não podem confiscar nem usurpar o espaço da cidadania”.
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