Manuel Alegre anunciou esta noite que se pretende candidatar às eleições presidenciais de 2006, afirmando que se encontra em condições de garantir uma vitória da esquerda contra Cavaco Silva, que só deverá anunciar depois das eleições autárquicas se é ou não candidato.
“Conto estar aqui em Janeiro como candidato à presidência da República para derrotar Cavaco Silva”, garantiu o deputado socialista, durante a apresentação dos candidatos do PS à Câmara Municipal de Águeda.
“Faço-o por imperativo cívico, faço-o porque sou republicano e faço-o porque é necessário um novo patriotismo nesta hora em que Portugal enfrenta os desafios da globalização. E faço-o também porque é necessário criar e abrir um espaço de cidadania, um espaço de escolha para os portugueses", justificou Manuel Alegre, desta forma, a sua candidatura.
“Sou membro do Partido Socialista, tenho muito orgulho em ser dirigente e membro do Partido Socialista, mas a democracia e a cidadania não podem ser confiscadas apenas pelos directórios do partidos políticos", acrescentou Alegre, manifestando a sua intenção de garantir a "derrota de Cavaco Silva" nas eleições.
“É preciso alargar a cidadania. E esse é o sentido do meu combate. Não venho para dividir. Venho para somar mais votos à esquerda para que nas próximas eleições presidenciais haja uma segunda volta. E é a minha candidatura que vai forçar a segunda volta, é a minha candidatura que vai garantir a vitória da esquerda e a derrota de Cavaco Silva”, disse.
Sócrates diz que PS "só pode ter um candidato"
Numa primeira reacção a este anúncio, José Sócrates, afirmou que “o PS tem um candidato e que só pode ter um candidato, que é Mário Soares”.
O secretário-geral socialista, que se encontra num jantar-comício na Guarda, afirmou que o antigo chefe de Estado é quem se encontra em melhores condições na esquerda para derrotar Cavaco Silva nas presidênciais.
Com o anúncio da candidatura de Manuel Alegre eleva-se já a quatro o número de candidatos saídos da esquerda portuguesa: Mário Soares, ex-presidente da República e novamente candidato ao cargo apoiado pelo PS, Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP e Francisco Louça, dirigente do Bloco de Esquerda.
O ex-primeiro-ministro e líder do PSD Cavaco Silva, apontado em todas as sondagens como o principal candidato à vitória naquelas eleições, anunciará a sua decisão de se candidatar ou não às presidenciais depois das autárquicas do próximo dia 9 de Outubro.


