Manuel Alegre diz que Sócrates “compreendeu consequências negativas” da política saúde

29.01.2008 - 18:22 Por Lusa
O ex-candidato presidencial Manuel Alegre disse hoje à Lusa que o primeiro-ministro “compreendeu as consequências negativas” da política de saúde, manifestando a sua esperança de que esta seja uma remodelação “política e não pessoal”.
José Sócrates solicitou hoje ao Presidente da República a exoneração do ministro da Saúde Correia de Campos, que será substituído na pasta por Ana Jorge.
“Do ponto de vista pessoal sou amigo há muitos anos de Correia de Campos mas foram tomadas medidas incompreensíveis que estavam a deixar as populações com um sentimento de abandono”, afirmou Alegre, em declarações à Agência Lusa.
“O primeiro-ministro compreendeu as consequências negativas desta política. Espero que esta remodelação tenha um carácter não pessoal mas político”, afirmou o histórico dirigente socialista, que tem criticado de forma dura a política de saúde do Governo de Sócrates.
O vice-presidente da Assembleia da República espera que esta remodelação, na área da saúde, traga “a consolidação e reforço do Serviço Nacional de Saúde, uma grande conquista democrática e a principal bandeira socialista”.
Arnaut considera que Sócrates “foi sensível à revolta generalizada”
O socialista António Arnaut, criador do Serviço Nacional de Saúde (SNS), mostrou-se por seu lado satisfeito com a substituição do ministro da Saúde, considerando que o primeiro-ministro “foi sensível à revolta generalizada” contra o encerramento de unidades de saúde.
Afirmando que “não importa tanto mudar as pessoas”, este fundador do PS declarou à Lusa que “o que é importante é mudar as políticas”.
António Arnaut, que foi deputado e ministro dos Assuntos Sociais de Mário Soares, é o primeiro subscritor de uma petição nacional, lançada na semana passada pelo Bloco de Esquerda, para que as alterações introduzidas pelo Governo de José Sócrates ao nível do SNS sejam debatidas pela Assembleia da República.
Na sua opinião, José Sócrates, enquanto responsável máximo do executivo, abriu caminho a correcções na política de saúde tendo em vista um “regresso à matriz” do SNS, enquanto serviço “geral, universal e gratuito” consagrado na Constituição da República.

