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Candidato diz-se satisfeito com a adesão de apoiantes

Manuel Alegre defende manutenção dos actuais poderes presidenciais

29.10.2005 - 15:40 Por Lusa

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O candidato a Presidente da República Manuel Alegre defendeu hoje a manutenção dos actuais poderes presidenciais, numa jornada em que se mostrou satisfeito com a adesão de apoiantes, apesar de enfrentar o que considerou ser um "combate muito desigual".
Manuel Alegre falava na abertura da sua primeira sede distrital de campanha, em Évora Manuel Alegre falava na abertura da sua primeira sede distrital de campanha, em Évora (Tiago Petinga/Lusa)

Na abertura da sua primeira sede distrital de campanha, em Évora, uma terra com "tradições de liberdade e democracia", Manuel Alegre foi recebido por uma centena de pessoas, algumas das quais militantes do PS, manifestando um sentimento de esperança e de maior união entre os apoiantes.

"Não é preciso aumentar, nem diminuir os poderes do Presidente. É preciso que o Presidente da República exerça esses poderes para que os órgãos do Estado e a justiça funcionem e para que os direitos sociais e políticos sejam cumpridos", afirmou o candidato e deputado do PS - partido que apoia a candidatura de Mário Soares.

Discursando no pátio da sede de candidatura, ao lado do centenário Teatro Garcia de Resende, Manuel Alegre reiterou as características da sua candidatura a Belém e o objectivo de "devolver aos portugueses a confiança em si próprios e no seu futuro".

"Sou um candidato que não depende de nenhum aparelho partidário, nem de nenhum interesse", reafirmou Manuel Alegre, assumindo-se como um "candidato livre apoiado por mulheres e homens livres".

"Os partidos políticos não esgotam o espaço da democracia"

Manifestando a intenção de "dar aos cidadãos outras possibilidades de escolha", o candidato considerou que "os partidos políticos não esgotam o espaço da democracia".

"Os portugueses estão cansados de se pronunciarem sobre escolhas que são previamente decididas por aparelhos cada vez mais estreitos e muitas vezes divorciados da realidade da vida", continuou o candidato, aplaudido pelos apoiantes.

Numa intervenção em que citou várias vezes as palavras liberdade, democracia e pátria, Manuel Alegre reiterou que se candidata a Belém "por um imperativo cívico e democrático" e não como "um salvador".

"Bato-me numa perspectiva de futuro e de modernidade para o nosso país. Não me candidato contra ninguém", afiançou Alegre, defendendo a necessidade de reafirmar na Europa e no Mundo os valores permanentes da identidade portuguesa.

"Na Europa de mercado, Portugal conta pouco, mas conta muito no da língua"

"Na Europa de mercado, Portugal conta pouco, mas conta muito no da língua, história e no da cultura", disse, prometendo "afirmar os valores portugueses".

Em declarações aos jornalistas, no final da cerimónia, Manuel Alegre foi questionado sobre a questão da interrupção voluntária da gravidez, mas preferiu manifestar apenas a sua opinião enquanto cidadão, alegando que o assunto volta à Assembleia da República.

O PS anunciou que vai apresentar uma nova proposta de referendo à interrupção voluntária da gravidez em Setembro do próximo ano, recusando avançar com a despenalização na Assembleia da República.

A decisão socialista, anunciada ontem pelo secretário-geral do PS, José Sócrates, seguiu-se à declaração de inconstitucionalidade por parte do Tribunal Constitucional da proposta de referendo viabilizada pela maioria socialista há um mês, no Parlamento.

"O PS assumiu um compromisso eleitoral. Eu como cidadão acho que os compromissos eleitorais são para ser cumpridos", comentou Manuel Alegre, escusando a pronunciar-se como candidato a Belém.

Como cidadão, Manuel Alegre reiterou ainda a opinião de que a questão do aborto "há muito que poderia ter sido resolvida em sede própria, que é na Assembleia da República".

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