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Socialista criticou a ausência de políticas sociais e os excessos da ASAE

Manuel Alegre confessa-se desiludido com o Governo e entregou caso de José Lello ao advogado

05.06.2008 - 22:17 Por Romana Borja-Santos

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O deputado socialista Manuel Alegre confessou hoje que está desiludido com o autismo revelado pelo Governo, que tem mostrado “alguma surdez em relação ao que se passa cá fora”, em declarações no programa “Grande Entrevista” da RTP. Num contexto de crise social, o histórico do PS reafirmou que o seu “compromisso como socialista é com as pessoas que vivem esses momentos difíceis”, pelo que participou no comício-festa. Alegre disse, ainda, que considera que “atingir as liberdades pessoais é uma infâmia”, pelo que entregou o “caso pessoal” das declarações de José Lello ao advogado.
O deputado disse que teve oportunidade de se afastar do PS quando Sócrates o interrompeu no discurso das presidenciais O deputado disse que teve oportunidade de se afastar do PS quando Sócrates o interrompeu no discurso das presidenciais (Nelson Garrido (arquivo))

O seu companheiro de bancada acusou-o de “parasitar o grupo parlamentar” do PS, viajando às suas custas para lançar um livro nos Açores, em entrevista ao “Diário de Notícias” – declarações que reiterou mais tarde e que Alegre sente que atingem a sua liberdade. Este tipo de críticas foram consideradas pessoais pelo deputado e bem diferentes das “críticas políticas” que foram feitas sobre a sua participação no “comício da esquerdas”, nomeadamente pelo também socialista Vitalino Canas, mas que considerou fazerem “parte da democracia”.

“Acho que quem governa está convencido da sua razão e de que está a fazer bem e a organizar as finanças públicas”, acrescentou Manuel Alegre, que criticou, contudo, o preço que os eleitores estão a pagar por este equilíbrio, e ao qual não é “capaz de ficar indiferente”. O deputado disse que “é preciso estar atento às 200 mil pessoas que estiveram na manifestação da CGTP”, que aconteceu hoje em Lisboa, depois de José Sócrates ter afirmado que os números não o impressionavam.

Como exemplo dos excessos cometidos, Alegre falou na ASAE que tem levado a cabo um “excesso de perseguição aos pequenos produtores” e acabado com tradições. “É um exagero brutal e que me incomoda”.

Manuel Alegre defendeu que a solução para o actual panorama passa por “inverter este modelo económico esgotado”, apesar de assumir que este “não é o discurso de Sócrates”. Questionado sobre as suas divergências com a actual direcção do partido, o deputado sublinhou que faz “parte da história do Partido Socialista do passado”, acrescentando que espera estar também na do futuro.

Sacrifícios para os mesmos

“Ser funcionário público em Portugal é um acto de resistência”, acusou Alegre, por sentir que os sacrifícios exigidos “recaem quase sempre sobre os mesmos”, ainda que tenha admitido que José Sócrates teve o mérito de inverter as contas públicas com “mais verdade, sem artifícios e expedientes”.

O vice-presidente da Assembleia da República colocou, igualmente, a tónica na importância de investir mais no lado social para reforçar a confiança dos eleitores, que é abalada pelas “suspeitas de corrupção” e por casos como os das “pessoas que saem para grandes empresas”.

Ainda sobre o comício desta semana, Manuel Alegre disse que se tratou de um ataque à situação social, pois a “pobreza e desigualdade são problemas estruturais que resultam do modelo de desenvolvimento” e que levam as pessoas a ficar “cansadas e desesperadas”. “Naquela noite quebrou-se o tabu e abriram-se as portas para as forças de esquerda”, destacou.

O histórico socialista fez também referência ao grupo parlamentar onde se mantém por respeito à integridade de pessoas como o actual ministro da Justiça, Alberto Costa, apesar de assumir que se fosse primeiro-ministro mudaria os titulares de algumas pastas.

Interrogado sobre o seu progressivo afastamento de José Sócrates e uma eventual rotura, o candidato às últimas presidenciais referiu que se essa fosse a sua vontade o teria feito quando Sócrates o interrompeu no seu discurso sobre os resultados das votações e onde poderia ter “espatifado o Partido Socialista”. Sobre a hipótese de vir a tornar o seu movimento num partido, Manuel Alegre garantiu que não tem essa intenção, mas avisou que não está disposto a “ser tratado como um inimigo dentro do Partido Socialista”. O deputado defendeu que em democracia não é preciso assumir nenhum cargo de relevância para criticar pelo que não tem de se candidatar a mais nada.

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