O candidato presidencial Manuel Alegre disse ontem à noite, em Portimão, que a apresentação da candidatura de Cavaco Silva às eleições presidenciais de 2006 "mais parecia uma coroação", mas salientou que em democracia não existem vencedores antecipados.
"Com todo o devido respeito pela pessoa, aquela apresentação mais parecia uma coroação", disse Manuel Alegre no final da apresentação da reedição - 40 anos depois - do seu livro "Praça da Canção", realizada ontem à noite, em Portimão.
O candidato presidencial sublinhou que "está tudo preparado em certos m eios e em certa comunicação social para a bipolarização das eleições presidenciais", considerando que "a disputa será entre os cinco candidatos porque são todos iguais".
"Há cinco candidatos, mas no ponto de vista das sondagens, será uma eleição a três", sublinhando que nessas mesmas sondagens é ele quem ocupa o segundo lugar "e não o doutor Mário Soares".
Manuel Alegre anunciou ainda que na próxima semana vai realizar-se a reunião da comissão política nacional da sua candidatura, que engloba mais de 40 membros, e o "manifesto será apresentado na semana seguinte".
Considerando a sua candidatura como "um teste à cidadania", Alegre observou que "todos irão ficar surpreendidos" quando virem a sua comissão política, "composta por pessoas que manifestaram o seu apoio, constituindo uma rede de cidadãos espalhados pelo país".
Manuel Alegre disse também que as surpresas têm surgido de todos os quadrantes, destacando o apoio do criminalista e presidente do conselho directivo da Faculdade de Direito de Coimbra, Faria e Costa.
Alegre não concorda com referendo mas diz que deve ser feito
Manuel Alegre afirmou que o referendo ao aborto é um compromisso eleitoral do Partido Socialista (PS) e deve ser cumprido, apesar de não concordar com a sua realização. O candidato à presidência reafirmou a sua posição "do não ao referendo ao aborto". "Sempre defendi que o assunto deveria ser tratado na Assembleia da República", frisou o candidato presidencial, sublinhando ter "votado contra quando o referendo foi aprovado. "No entanto, por se tratar de um compromisso eleitoral do PS, deve ser cumprido", concluiu.
Manuel Alegre apresentou ontem à noite, em Portimão, a reedição d o seu livro "Praça da Canção" (1965), um livro de poemas que deverá já ter ultra passado os cem mil exemplares.
Trata-se do mais famoso e cantado livro de poemas de Manuel Alegre, num a edição especial ilustrada com desenhos de José Rodrigues e com manuscritos do autor.


