Pelo menos 130 pessoas manifestaram-se esta tarde na Alameda Afonso Henriques, em Lisboa, pela adopção de medidas que apoiem os emigrantes portugueses na África do Sul, vítimas de "crimes racistas", como sustentou o Partido Nacional Renovador (PNR), que organizou o protesto.
"Temos todos os motivos para falar de genocídio. Quando 360 pessoas são assassinadas num país estrangeiro não se trata de uma coincidência, mas de actos premeditados", afirmou o presidente do PNR, José Pinto Coelho, perante os manifestantes.
O dirigente, que afirmou aos jornalistas que desde 1994 morreram 360 emigrantes portugueses vítimas de crimes violentos na África do Sul, sublinhou na sua intervenção que se trata de "crimes cheios de sadismo e carácter racista".
Empunhando bandeiras nacionais, bandeiras negras e bandeiras do PNR, os manifestantes, alguns de cabeça rapada, envergando roupas e botas de estilo militar, reuniram-se em torno de 360 cruzes brancas colocadas na relva daquele espaço verde de Lisboa.
José Pinto Coelho, que se referiu aos manifestantes como "nacionalistas e patriotas", defendeu a adopção de medidas que apoiassem o regresso dos emigrantes portugueses na África do Sul que o desejassem.
No seu discurso, o dirigente do PNR acusou ainda Jorge Sampaio de não ser "o Presidente de todos os portugueses", optando por ser "o Presidente de todos os imigrantes".
Para José Pinto Coelho, não é aceitável "a argumentação fácil e imediatista de que na África do Sul há muita criminalidade". "Paradoxalmente, o Presidente (Nelson) Mandela foi galardoado com o prémio Nobel da Paz, o que nos parece um bocadinho estranho", disse o dirigente sobre o antigo chefe de Estado sul-africano que liderou a luta pelo fim do regime do apartheid naquele país, causa pela qual esteve 27 anos preso.
O nacionalista defendeu ainda que o embaixador português em Joanesburgo "deveria ter sido chamado pelas autoridades portuguesas a prestar esclarecimentos sobre esta situação", acrescentando que "é uma prática corrente em diplomacia".
Após a intervenção de José Pinto Coelho, os manifestantes guardaram um minuto de silêncio pelos portugueses vítimas de violência na África do Sul, entoando depois o hino nacional, alguns efectuando simultaneamente a saudação nazi.


