Madeira: Três mil milhões em contratos plurianuais e seis mil milhões em tesouraria

27.12.2011 - 13:19 Por Tolentino de Nóbrega
A totalidade das receitas fiscais arrecadadas pela Região Autónoma da Madeira, a manterem-se os níveis actuais de cobrança, apontam para uma média anual de 650 milhões de euros, que não chegam para satisfazer os contratos plurianuais.
Este valor anual não chega para satisfazer os contratos plurianuais incluídos pelo Governo Regional madeirense no Plano e Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Região Autónoma da Madeira para 2011 (PIDDAR), num montante total de 2767,9 milhões de euros - que não inclui os 41,7 milhões que dizem respeito a investimentos municipais.
A programação plurianual dos investimentos, feita pelo Governo regional liderado por Alberto João Jardim, prevê a execução de 758,7 milhões em 2011, remetendo 734,7 milhões para 2012 e 597,2 milhões para 2013, ficando os remanescentes 677,3 milhões para os anos seguintes.
Os contratos plurianuais na região autónoma estão assim distribuídos pelos vários departamentos governamentais: Secretaria do Equipamento Social 1470 milhões (53,1%), Educação e Cultura 276 milhões, (10 %) vice-presidência 258 milhões (9,3%), Secretaria do Turismo e Transportes 238 milhões (8,6%), Plano e Finanças 185 milhões (6,7%), Ambiente e Recursos Naturais 151 milhões (5,5%), Recursos Humanos 115 milhões (4,5%) e Assuntos Sociais 62 milhões (2,2%).
A estes valores acresce o dos contratos plurianuais relativos a investimentos municipais, igualmente assumidos pelo governo regional em sede de PIDDAR. Foram diferidos 32,1 milhões para 2011, cerca de oito milhões para 2012 e 1,7 milhões para 2013.
A Inspecção-Geral de Finanças (IGF), na análise à situação financeira da região efectuada em Setembro, alertou para a sobreorçamentação da receita e suborçamentação das despesas, nomeadamente através da não-relevação da totalidade dos encargos plurianuais, o que, alertou, "potencia o surgimento de défices e o crescimento da dívida".
Eurostat confirmou
Na segunda notificação sobre procedimento por défices excessivos, revelada quarta-feira, o Eurostat confirmou que o défice de Portugal, em 2010, se fixou nos 9,8% do PIB, mais 0,6% que a estimativa inicial, principalmente devido ao desvio orçamental na Região Autónoma da Madeira.
Nas explicações específicas por país sobre as revisões mais significativas do défice entre 2007 e 2010 efectuadas entre as notificações de Abril e Outubro deste ano, o gabinete oficial de estatísticas indica: "A subida do défice em 2010 deve-se principalmente à correcção de uma ausência de registo relativa à região autónoma da Madeira."
Aos 1113,3 milhões de euros, correspondentes a encargos assumidos desde 2003 de que não houve reporte às autoridades estatísticas, a que a administração regional da Madeira estava obrigada, juntam-se ainda 568 milhões de euros de dívidas das empresas do serviço regional de saúde (Sesaram) e da PPP rodoviária ViaMadeira, assumidas pela região. As dívidas ocultadas totalizam 1681,3 milhões que foram registados nos défices nacionais entre 2008 e 2011.
No final do primeiro semestre deste ano, a dívida global (financeira, administrativa e comercial) da Madeira, assumida pelas diferentes entidades que integram os sectores da administração directa e indirecta regional, empresarial e local da região, totalizava o montante de 6328 milhões, incluindo 2058 milhões de encargos assumidos e não pagos.
Nessa data, o governo de Jardim detinha ainda responsabilidade indirecta sobre dívida de diversas entidades, no montante de 1255 milhões, a maioria das quais pertencentes ao sector público empresarial.
3737 milhões em quatro anos
Ao revelar o montante da dívida da região autónoma, o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, advertiu que o plano de resgate financeiro, que deve ser assinado esta semana com a Região Autónoma da Madeira, seria construído com base na "necessidade de ajustamento significativo na região para assegurar a sustentabilidade financeira da mesma, baseada no princípio da responsabilidade da região pelo serviço da dívida acumulada e pelo pagamento do capital da dívida".

