PCP retira confiança política à deputada e vereadora

Luísa Mesquita garante que fica no Parlamento e na autarquia de Santarém

24.10.2007 - 13:58 Por Lusa

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Luísa Mesquita admite ficar na Assembleia da República como deputada independente Luísa Mesquita admite ficar na Assembleia da República como deputada independente (Nuno Ferreira Santos/PÚBLICO (arquivo))
Luísa Mesquita garantiu hoje que vai cumprir o seu mandato de deputada no Parlamento e manter-se como vereadora na Câmara Municipal de Santarém até 2009, apesar de o PCP lhe ter retirado a confiança política.

"A minha decisão está tomada, foi tomada em Novembro de 2006, irei continuar como vereadora na Câmara Municipal de Santarém até 2009 e como deputada na Assembleia da República até 2009", garantiu Luísa Mesquita, em declarações aos jornalistas na Assembleia da República.

Quanto ao estatuto em que irá manter o cargo de deputada, uma vez que deixou de representar politicamente o PCP, Luísa Mesquita disse ainda ter de fazer uma reflexão, mas admite assumir o estatuto de deputada independente.

"A decisão mantém-se, qual o meu estatuto neste momento, se continuo como deputada independente, é uma reflexão que ainda terei de fazer. O importante é que o distrito de Santarém saiba que vou continuar a trabalhar por ele, quer nesta casa, quer na câmara municipal", afirmou também Luísa Mesquita.

"Naturalmente que tenho o lugar para que fui eleita em 2005"

"O PCP não é dono dos lugares no Parlamento, há muitos lugares que não estão ocupados. Naturalmente que tenho o lugar para que fui eleita em 2005", acrescentou a deputada.

O Comité Central do PCP retirou hoje a Luísa Mesquita a confiança política enquanto deputada na Assembleia da República e vereadora na autarquia de Santarém, deixando àquela direcção regional do partido a decisão sobre outras sanções disciplinares.

Em comunicado, o PCP considerou que o comportamento que a deputada Luísa Mesquita tem tido desde 2006, quando recusou abandonar o Parlamento como lhe tinha pedido o partido, é de "reiterada e inaceitável violação dos estatutos" do PCP.

"Os organismos competentes para o efeito, designadamente a direcção da organização regional de Santarém, examinarão a atitude a adoptar face à reiterada e inaceitável violação dos estatutos por parte de Luísa Mesquita", afirma igualmente o PCP.

A deputada comunista estranhou que o comunicado do Comité Central do PCP tenha sido divulgado quando ainda decorria uma reunião entre ela própria, Bernardino Soares, líder parlamentar, e um membro da comissão política do PCP, no Parlamento.

"Eu desconheço ainda o comunicado a que tiveram acesso, nem sei se à hora a que foi distribuído já me tinha sido comunicada a decisão de me retirar a confiança política", referiu.

Segundo Luísa Mesquita, o PCP entendeu que o trabalho que desenvolveu no distrito de Santarém ao longo do último ano - desde que em Novembro recusou abandonar o Parlamento a pedido do PCP - constituiu "uma afronta".

"Desejaram ardentemente que a minha voz fosse silenciada"

"Esta não é a minha leitura. Um deputado eleito por Santarém não pode deixar de trabalhar (...) A direcção do PCP e da bancada desejaram ardentemente que a minha voz fosse silenciada", considerou Luísa Mesquita.

Quanto a outras eventuais sanções disciplinares que venham a ser decididas, a deputada não quis fazer comentários, mas não receia qualquer decisão.

"Não tenho receio daquilo que o PCP vai fazer. Os órgãos próprios do partido irão fazer a avaliação do caso (...) Provavelmente, os senhores irão ser informados da decisão antes de mim", ironizou, dirigindo-se aos jornalistas.

Sobre a visita a uma instituição de ensino superior no distrito de Santarém em simultâneo com as jornadas parlamentares do PCP, que foi considerado um "acto claramente provocatório" pelo Comité Central do PCP, a deputada Luísa Mesquita tem uma leitura diferente.

"A visita estava marcada há meses. Quando me apercebi da coincidência com as jornadas, coloquei a questão à única pessoa com quem tenho direito de contactar no grupo parlamentar: o chefe de gabinete", explicou. Segundo Luísa Mesquita, depois desse contacto, nada lhe foi dito a não ser "a menos de 24 horas da visita".

"Em nome da ética e da boa educação, a menos de 24 horas não se desmarcam visitas (...) O PCP não o faz e eu, como militante do PCP, entendi não o dever fazer", afirmou ainda Luísa Mesquita.

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Com tacho garantido até 2009 e ia demitir-se? Só se fosse parva...

Anónimo

27.11.2007 19:29

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