A deputada do PCP Luísa Mesquita afirmou hoje estar “magoada” com a intenção do partido de a substituir no Parlamento e prometeu manter-se na Assembleia da República, por respeito a quem votou em si.
Em declarações à Lusa, a deputada disse que foi contactada na quarta-feira pela direcção política do PCP, informando-a que iria ser substituída.
“Disseram-me que mantinham confiança política e havia um reconhecimento do bom trabalho realizado”, disse Luísa Mesquita, que se mostrou surpreendida com a decisão do partido, até porque quando se candidatou, salientou, existia o compromisso de assumir o mandato até ao fim.
“Estas matérias não podem, na minha opinião, ser decididas de um momento para o outro, a não ser que nós admitamos que os seres humanos são peças de um ‘puzzle’ e colocadas de lado quando já não servem”, afirmou.
A deputada disse também, à SIC Notícias, que deixou de parte a sua carreira académica para responder a solicitações do partido em 2001 e 2002 e que na altura deixou claro que aceitar os compromissos que lhe propuseram teria essa consequência.
Perante a recusa em sair, a direcção do partido informou-a de que “iria sofrer as punições”, que passavam pelo seu afastamento das comissões que integrava (Educação, Ciência e Cultura e Negócios Estrangeiros). No entanto, foi entretanto informada de que integrará a Comissão de Saúde.
“Do ponto de vista pessoal é o mais difícil, porque sou militante não desde ontem, mas há 32 anos” e, desde então, “exerço as mais diversas funções, com total acolhimento daquilo que são as decisões, os pedidos que me são feitos” por parte do PCP, afirmou a deputada, que concorreu nos últimos dois mandatos à Câmara de Santarém.
Luísa Mesquita disse também que não pondera a saída do partido. “Este PCP é ainda o meu partido”, afirmou na SIC Notícias.
“Enquanto tiver condições para exercer algum trabalho, vou trabalhar com o máximo de dignidade”, promete a deputada.
Luísa Mesquita foi eleita deputada por Santarém entre 1983 e 1985, tendo regressado à carreira académica nesse ano. Depois, a convite do PCP, regressou às listas do partido em 1995 e à Assembleia da República, onde se tem mantido.
O PCP anunciou hoje que retirou “parte” da confiança política à deputada, impondo-lhe como sanção a saída das comissões a que pertencia e integrando-a na Comissão parlamentar da Saúde.


