Luís Fazenda diz “até breve” e culpa votação “bipolarizada”

12.10.2009 - 01:35 Por Romana Borja-Santos
O primeiro discurso, às 20h20, traçou o tom da noite. O coordenador autárquico do Bloco de Esquerda, Pedro Soares, falou numa eleição “difícil” em Lisboa. Uma primeira impressão confirmada três horas depois pelo líder do partido, Francisco Louçã, que considerou “extremamente difícil” ter um vereador na autarquia. Pouco depois, o candidato, Luís Fazenda, assumiu a derrota. Explicou que se assistiu a um “quadro de uma fortíssima bipolarização em que o voto útil imperou”, mas congratulou-se por ter contribuído para a “derrota da direita”.
Luís Fazenda perdeu com 4,56 por cento dos votos o lugar de vereador que o partido conquistou nas autárquicas de 2005 e reafirmado nas intercalares de 2007 com o independente José Sá Fernandes – ontem eleito pela lista de António Costa. Nas primeiras o BE obteve 6,8 por cento dos votos e há dois anos 6,82 por cento.
Na longa noite eleitoral nenhuma das cerca de 100 pessoas presentes do Fórum Lisboa conseguiu disfarçar o desalento. As bandeiras só foram empunhadas quando os dirigentes discursaram e, mesmo assim, de forma quase envergonhada. A música tentou animar o ambiente, mas foi (praticamente) ignorada. E várias eram as teorias avançadas para os maus resultados: “as autárquicas são muito específicas”, “os dois grandes concentram os votos”.
Luís Fazenda também passou grande parte da noite resguardado e só apareceu depois das 21h00 com um sorriso forçado de quem não queria antecipar o inevitável. Foi cerca das 23h30 que discursou para assumir que não será vereador. Mas lembrou que na Assembleia Municipal conseguiu um resultado mais alto (6,73 por cento) e suficiente para eleger três pessoas, pelo que será aí que o BE vai pôr em prática o seu programa “ao lado dos cidadãos”. E resumiu: “É um até já do ponto de vista da representação política depois de muitos incidentes e episódios negativos na Câmara Municipal de Lisboa”.
Sobre a possibilidade de Sá Fernandes ter descredibilizado o BE ao concorrer com o PS, Luís Fazenda rejeitou, em declarações ao PÚBLICO, esta hipótese. “Foi uma eleição dominada pela bipolarização e onde o PCP também foi sacrificado”, insistiu o também deputado bloquista.

