Luís Amado: UE deve assumir "papel significativo" nas forças da ONU no Líbano

21.08.2006 - 11:54 Por Lusa
A União Europeia deve assumir "um papel significativo" na Força Interina das Nações Unidas no Líbano e deve fazê-lo com a maior rapidez possível, defenderam hoje, em Amã, os chefes das diplomacias portuguesa e jordana.
"A UE tem uma dimensão tão importante de intervenção nesta região - nos domínios humanitário, assistencial e de desenvolvimento - que tem necessariamente de assumir também, do ponto de vista estratégico, político e militar, um papel mais destacado. É essa a expectativa dos países da região", disse o ministro português dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, após um encontro na capital da Jordânia com o seu homólogo jordano.
Para o governante português, a relutância manifestada por alguns Estados membros da UE "não é muito positiva" e obriga "a um esforço para que, nos próximos dias, essas decisões sejam tomadas, de forma a não se frustrar as expectativas do secretário-geral da ONU [Kofi Annan], mas também (...) da região, que tem uma grande expectativa de que o núcleo essencial da UNIFIL seja constituído por forças dos Estados-membros da UE".
A participação de forças portuguesas na UNIFIL é, segundo Luís Amado, "uma possibilidade que está a ser avaliada pelo Governo português", mas "a indecisão manifestada ao nível dos países mais responsáveis publicamente pela assunção de responsabilidade nesta força também tem contribuído para que haja da parte de outros Estados-membros ainda alguma indefinição em relação às suas contribuições".
"Mas estou crente de que, a muito curto prazo, estaremos em condições de tomar uma decisão sobre essa matéria", afirmou igualmente Luís Amado.
A participação europeia foi também destacada pelo ministro jordano dos Negócios Estrangeiros, Abdelelah Al-Khatib, que pediu "um papel central e liderante [da Europa] no reforço da UNIFIL, para permitir à força da ONU cumprir a sua missão".
"A expectativa de toda a região é de que a Europa assuma esse papel liderante muito em breve", disse o ministro Abdelelah Al-Khatib.
O governante jordano sublinhou, por outro lado, "a necessidade de consolidar a trégua [em vigor no Líbano há uma semana] e de chegar a um acordo permanente de cessar-fogo que garanta aos libaneses que a agressão e a destruição que sofreram não será repetida".
Abdelelah Al-Khatib considerou que "a situação no terreno permanece muito frágil " e frisou a urgência de "enfrentar a questão central" em toda a região - o conflito israelo-palestiniano.
"Na ausência de uma solução permanente, a ameaça de uma repetição do que aconteceu no Líbano vai continuar a existir. Por isso, é muito importante voltar às negociações, mas no âmbito de um calendário limitado. A região está numa situação muito tensa", afirmou ainda o ministro jordano.
Luís Amado está na Jordânia no âmbito de uma deslocação ao Médio Oriente, que inclui visitas ao Egipto e à Líbia, numa primeira fase de uma série de contactos com países da região.
A presidência finlandesa da UE anunciou ontem a realização de uma reunião em Bruxelas, provavelmente depois de amanhã, sobre a contribuição dos Estados membros para a UNIFIL.

