O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, considerou hoje, em Bruxelas, que o resultado do referendo sobre o aborto "é clarificador" e vai permitir "virar uma página" numa matéria "controversa".
"Foi um bom resultado. Pelo menos foi um resultado clarificador que permite virar uma página em relação a um dossier que tem sido muito controverso", disse Luís Amado, à entrada de uma reunião dos chefes da diplomacia europeia.
O responsável português referiu que, da parte dos seus congéneres europeus, houve "uma certa expectativa" em relação ao resultado final da consulta popular.
"A Europa, em particular, não deixou de estar atenta em relação ao resultado deste referendo em Portugal", concluiu.
O "sim" ganhou ontem no referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez até às dez semanas, com quase 59 por cento dos votos, contra 40,7 do "não".
O PS já disse que o resultado de ontem irá permitir alterar a lei no parlamento até ao fim da sessão legislativa.
A abstenção foi de 56,4 por cento e, apesar de este ano terem votado mais 1,1 milhão de eleitores do que na consulta de 1998, o referendo voltou a não ser vinculativo.
Apesar de o referendo não ser vinculativo, o líder do PS e primeiro-ministro, José Sócrates, prometeu alterar a lei para não penalizar as mulheres que praticarem aborto até às dez semanas, cumprindo uma garantia deixada no congresso nacional do partido, em Novembro de 2006.


